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Revista Espinhaço

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1 Nova Revista, novos olhares , Douglas Sathler
Editorial
2 Caracterização Morfométrica dos Compartimentos do Relevo do Parque Nacional da Serra do Cipó, Serra do Espinhaço Meridional – Minas Gerais , Miguel F. Felippe Carolina A. Silva André H. Souza H. Souza Antônio P. M Júnior
O mapeamento morfológico é uma importante ferramenta na interpretação de processos, materiais e formas do relevo regional. Sobretudo em Unidades de Conservação, auxilia no planejamento e gestão ambiental das áreas protegidas. Nesse contexto, o principal objetivo desse trabalho é caracterizar os compartimentos morfológicos do Parque Nacional da Serra do Cipó a partir da medição de parâmetros morfométricos. Os procedimentos metodológicos envolvem a sobreposição de dados cartográficos, a elaboração de perfis topográficos, a identificação de rupturas de declive e, finalmente, medições morfométricas. Os resultados mostram que o Parque Nacional da Serra do Cipó pode ser dividido em onze compartimentos morfológicos na escala de 1:50.000, demonstrando a importância da morfometria na individualização de unidades do relevo. Espera-se que esses resultados e os avanços metodológicos desse trabalho possam colaborar para pesquisas futuras assim como para a gestão de Unidades de Conservação na Serra do Cipó. 
3 População e Consumo: considerações para o debate ambiental , Carla Craice
Este trabalho faz uma reflexão sobre a questão ambiental sob a perspectiva da Demografia. Inicialmente, desmistifica- se a importância do crescimento demográfico na relação população-ambiente para enfocar outro ponto relevante no debate ambiental: o consumo. Para isso, observa-se a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, evento de destaque na área ambiental, através da Agenda 21, documento que vislumbra o embate entre crescimento demográfico e padrão de consumo. A inserção do tema dentro do campo da Demografia é incipiente, mas necessária à medida que se demonstra a relação entre dinâmica demográfica e  mudanças no  padrão de consumo. Com isso, o  texto aborda a  teoria da  Transição Demográfica e suas mudanças na estrutura etária e domiciliar na população brasileira indicando possíveis reflexos no seu consumo. Por fim, são explorados trabalhos já realizados que tratam dessa relação, demonstrando a relevância em realizar a aproximação dos dois campos de estudo. 
4 Poeira mineral e impacto ambiental na região de Pirapora e Várzea da Palma, Minas Gerais: contaminação do ar, da água, do solo e das plantas , Heinrich Horn Hernando Baggio Essaid Bilal
As indústrias siderúrgicas de Pirapora e Várzea da Palma produzem uma fumaça carregada com partículas minerais. Estas partículas dispersas na área cotaminam a água, o solo e as plantas, causando poluição e problemas de saúde humana. As amostras coletadas foram analisadas usando filtro DRX, ICP-OES, ICP-MS, microscópio óptico, ambiental SEM e microssonda. A análise mostrou que as particulas são ricas em Ba, Rb, As, V, Zn, Pb, Cu, Mo e Ni. A pluma contém partículas de composição (argila, magnetite, SiO2, silicato amorfo), morfologia e dimensões variadas. As partículas esféricas de fumaça negra formam um aglomerado rico em Fe e Si. 
5 Impactos do Fenômeno Enos Sobre a Temperatura no Brasil , Daniel P. Guimarães Ruibran dos Reis
Neste trabalho, a variabilidade das temperaturas máximas e mínimas mensais de 265 estações convencionais, componentes do Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa (BDMEP do INMET), nos últimos 50 anos, foi relacionada com as variações do Oceanic Niño Index do NOAA Climate Prediction Center através do treinamento de uma rede neural artificial. Os resultados da pesquisa mostram a relação quase que direta entre ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e as temperaturas máximas e mínimas mensais no Brasil. Foram escolhidas algumas localidades para demonstrar os resultados da pesquisa: Manaus, Recife, Cuiabá, Brasília, São Paulo e Porto Alegre. Os eventos de El Niño contribuem para o aumento das temperaturas máximas e mínimas enquanto o inverso ocorre em eventos de La Niña, exceto para a região Amazônica. Em anos de La Niña ocorrem diminuição das temperaturas do ar em quase todas as regiões do Brasil. O impacto do fenômeno ENOS no país se faz mais presente nos meses de inverno e primavera.
6 Implicações Geológicas e Ecológicas para Assentamentos Humanos Pretéritos – Estudo de Caso no Complexo Arqueológico Campo das Flores, Área Arqueológica de Serra Negra, Vale do Araçuaí, Minas Gerais. , Marcelo Fagundes Mirian Liza Forancelli Pacheco Alexandre Christófaro Silva Hernando Baggio Lucas de Souza Lara
O presente artigo tem como objetivo apresentar os procedimentos técnico-metodológicos utilizados pela equipe do LAEP/UFVJM para caracterização geoambiental do Comple xo Arqueológico Campo das Flores, um dos componentes da Área Arqueológica de Serra Negra, Nordeste de Minas Gerais. Também conta com reflexões que com base na integraç ão de dados da cultura e ambiente. Para tanto, foram realizadas diferentes campanhas de campo (caracterização geológi ca e geomorfológica, análise de sedimentos, identificação de fauna recente, entre outros procedimentos) para a obtenção de dados que cooperassem para o entendimento do repertório cultural e proces sos de implantação dos vinte e um sítios que compõe m o Complexo. A intenção é coligir dados da natureza e cultura aplicando-se conceitos trabalhados há muito na literatura tais como: lugar e paisagem, forrageamento, mobilidade, entre outros. 
7 Resenha: Guedes, Gilvan Ramalho; Ojima, Ricado (orgs.). Território, Mobilidade Populacional e Ambiente. Univale, 2012. , Mauro Augusto dos Santos
8 Revista Espinhaço entrevista: Prof. Pedro Angelo Almeida Abreu (Reitor da UFVJM) , Douglas Sathler
Prof. Pedro Angelo Almeida Abreu é natural de Fortaleza (Ceará). Possui graduação em Geologia pela Universidade de Fortaleza (1978), mestrado em Geologia Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989) e doutorado em Ciências Naturais pela Universidade de Freiburg-Alemanha (1993). Efetuou pós-doutorado na Universidade do Kansas (USA) de dezembro/1998 a janeiro/2000 abordando a província de Basin and Range do Sudoeste dos Estados Unidos. Foi professor do Departamento de Geologia do Instituto de Geociências da UFMG de abril de 1979 a 2002 e desde agosto de 2002 é professor titular da UFVJM. Ocupa desde 2007 o cargo de Reitor da UFVJM e tem liderado uma universidade em intensa transformação. No dia 24 de Outubro de 2012, quarta feira, o Prof. Pedro Angelo recebeu a equipe editorial da Revista Espinhaço para uma entrevista.
9 Editorial , Eduardo Marandola Jr.
10 A cosmopolização no universo em expansão e contração: integração e exclusão nas redes urbanas do mundo em desenvolvimento , Douglas Sathler Roberto Monte-Mór
A globalização reestruturou as relações entre as cidades com implicações em todo o planeta. As principais cidades do mundo, denominadas de Cosmopolis em uma perspectiva pós-moderna, é a expressão máxima do avanço da globalização. O artigo apresenta algumas reflexões que consideram os impactos desse processo nas redes urbanas, o surgimento dos grandes centros de expressão global e as novas configurações das redes urbanas ao redor do mundo. Após isso, busca-se explorar aspectos relativos à integração das redes urbanas dos países em desenvolvimento no sistema global de cidades. As redes urbanas destes países, geralmente mais fragilizadas e menos dinâmicas em comparação as porções mais desenvolvidas do Globo, revelam a coexistência de diferentes padrões de articulação muitas vezes marcados pela fluidez e pela conectividade e outras vezes marcados pela rugosidade e pela exclusão. No mundo em desenvolvimento, a ideia de Cosmopolis entendida como sendo algo ainda não totalmente concretizado, tem um maior poder explicativo do que quando utilizada apenas para rotular cidades como São Paulo, Cidade do México, Bombaim ou Buenos Aires. Neste caso, seria mais válido pensar em cosmopolização, ao invés de Cosmopolis, direcionando o foco das atenções para o processo, o que poderia revelar muito mais do que confundir. As cidades em globalização, ou em cosmopolização, não se tornarão cidades exatamente iguais aos atuais centros de comando da economia mundial. Assim como nos estudos sobre a globalização, os processos que regem o aumento da participação das cidades numa escala global devem dialogar com as especificidades regionais e locais ao redor do mundo. 
11 Oficinas de legislação ambiental e turismo para as comunidades do entorno do Parque Estadual do Biribiri , Raquel Faria Scalco Daniella Eloi de Souza Herbert Amaro Souza
O Parque Estadual do Biribiri (PEBI), localizado em Diamantina/MG, é uma Unidade de Conservação (UC) de proteção integral. Os moradores do interior e entorno do PEBI sofrem restrições de uso dos recursos naturais pelas normas impostas pela Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), e outras leis ambientais que restringem o desenvolvimento de diversas atividades tradicionais. Assim, este trabalho, que é fruto de um projeto de extensão desenvolvido por alunos do Curso de Turismo da UFVJM, procurou compreender as principais restrições impostas aos moradores do interior e entorno do PEBI e como eles reagem às imposições da legislação, tendo em vista a importância da preservação dos recursos naturais pelas comunidades locais. Para tanto, realizou-se pesquisa bibliográfica, pesquisa de gabinete, elaboração de cartilha, mobilização e realização de oficinas com comunidades do entorno do PEBI. O desenvolvimento dessas oficinas possibilitou o esclarecimento de diversas dúvidas e se mostrou um potencial instrumento de engajamento das comunidades com o propósito da preservação ambiental. 
12 Paleobiologia e Evolução: o potencial do registro fossilífero brasileiro , Luana Pereira Costa de Morais Soares Bruno Becker Kerber Gabriel Ladeira Osés Alessandro Marques de Oliveira Mírian Liza Alves Forancelli Pachec
A Paleobiologia é uma área que vem ganhando destaque mundial com seus estudos voltados para interpretações ecológicas, evolutivas e ambientais do registro fossilífero. Nesse contexto, o Brasil tem demonstrado grande potencial para o desenvolvimento de pesquisas que podem contribuir para compreensão da história e processos evolutivos dos organismos. Em seu vasto território, o país apresenta diversas localidades fossilíferas que contêm informações cruciais sobre a evolução e diversificação da vida na Terra. O Grupo Corumbá, em afloramentos da Formação Bocaina, apresenta evidências dos primeiros protistas eucariontes heterotróficos, além do posterior aparecimento dos primeiros metazoários capazes de realizar esqueletogênese, evidenciados na subsequente Formação Tamengo. O Membro Crato, no nordeste brasileiro, é reconhecido mundialmente pela preservação excepcional da paleoentomofauna e paleoflora do Cretáceo, e constitui uma das melhores possibilidades para pesquisas paleontológicas voltadas para a coevolução inseto-planta. Outro grande campo da Paleobiologia que vem sendo desenvolvida no país são os estudos sobre a paleomastofauna, principalmente dos abundantes fósseis pleistocênicos encontrados em diversas regiões do país, e que podem lançar novas informações quanto a extinção da megafauna e a convivência desta com as antigas populações humanas da época. Sendo assim, o Brasil possui uma ampla gama temporal em seu registro fóssil, e permite o desenvolvimento de pesquisas de ponta que ajudarão a responder importantes questões evolutivas sobre os organismos, inclusive aquelas envolvendo as megatrajetórias da vida.
13 Espaço e território: um debate em torno de conceitos-chave para a geografia crítica , João Bosco Moura Tonucci Filho
Esse trabalho tem como objetivo discutir as possíveis aproximações e distinções entre espaço e território, dois conceitos-chave da geografia crítica, frequentemente utilizados como sinônimos quando pensados como referência à dimensão geográfica dos fenômenos sociais. Para tanto, serão apresentadas e discutidas as concepções de espaço social para Henri Lefebvre, de espaço geográfico (ou território usado) para Milton Santos, e de território para Rogério Haesbaert. A partir de uma abordagem comparativa entre as três formulações teórico-conceituais, procura-se apontar as concordâncias e discordâncias entre os autores, e possíveis interseções e distinções entre os conceitos trabalhados. Considera-se que os conceitos de espaço e território, formulados numa perspectiva crítica, são cada vez mais centrais ao entendimento do mundo contemporâneo.
14 Repensando clássicos, reconstruindo epistemologias , Mateus de Moraes Servilha
Resenha: Haesbaert, R., Pereira, S. N., Ribeiro, G. (org.). 2012. Vidal, Vidais: textos de geografia humana, regional e política. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, Brazil. 464 p. 
15 Revista Espinhaço entrevista: Paul Claval , Lucas Mello de Souza
16 Ficha Catalográfica , Revista Espinhaço
17 Editorial , Marcelo Fagundes
18 Análise dos Impactos ao Patrimônio Cultural no Âmbito dos Estudos Ambientais , Marcos Paulo de Souza Miranda
Como instrumento jurídico composto por elementos técnicos interdisciplinares, o Estudo de Impacto Ambiental tem como objetivo prever e prevenir danos ambientais, norteando a escolha da melhor alternativa para se evitar, eliminar ou reduzir os efeitos prejudiciais decorrentes do empreendimento proposto. Tendo em vista que o patrimônio cultural integra o conceito amplo de meio ambiente, todos os impactos sobre os bens culturais materiais (tais como cavernas, sítios arqueológicos e paleontológicos, prédios históricos, conjuntos urbanos, monumentos paisagísticos e geológicos) e imateriais (tais como os modos de viver, de fazer e se expressar tradicionais, os lugares e referenciais de memória) devem ser devidamente avaliados para se averiguar a viabilidade do empreendimento e para se propor as correspondentes medidas mitigadoras e compensatórias. Em razão disso, podemos afirmar que o processo de licenciamento ambiental é um instrumento de acautelamento e proteção também do patrimônio cultural. 
19 Aspectos do Gerenciamento do Patrimônio Arqueológico no Brasil , Alexandre Henrique Delforge
Apresenta-se uma visão daquilo que se constitui no Gerenciamento do Patrimônio Arqueológico (GPA) dentro do universo do Gerenciamento do Patrimônio Cultural. O GPA possui características globais, ligadas à ciência da Arqueologia, à Conservação e à Museologia; e locais determinadas pela legislação, desenvolvimento econômico e cultura de cada país e região. É proposta uma visão sistêmica do GPA que atende a ciência, à legislação nacional, ao desenvolvimento econômico, à preservação do patrimônio cultural e à promoção do meio ambiente sócio econômico (cultural). Os agentes sobre este patrimônio são classificados em três grupos (Científico, Estatal e Social) com base em critérios da legislação nacional, em dados de campo da atuação no gerenciamento e informações sobre o desenvolvimento econômico específico do Estado de Minas Gerais. Apresentase ao final um diagnóstico cartográfico do patrimônio arqueológico no Estado em sua ligação com os três grupos de agentes e com o desenvolvimento econômico.
20 As Muitas Arqueologias das Minas Gerais , André Prous
Apresentamos uma história crítica das pesquisas em arqueologia - particularmente pré-histórica - realizadas em território mineiro desde o século XIX. Após a fase do pioneirismo (P. Lund, amadores diversos), missões internacionais estudam a região de Lagoa Santa no terceiro quarto do século XX, enquanto o Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas (PRONAPA) inicia levantamentos no alto vale do rio São Francisco. Com a abertura de pesquisas mais sistemáticas pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) no Norte mineiro e a criação do Setor de Pesquisa da UFMG, na segunda metade dos anos de 1970, abre-se uma fase de pesquisas mais intensivas e regionais, tematicamente diversificadas. O início deste século XXI é marcado pela multiplicação das pesquisas preventivas e de resgate, a emergência de novos centros de pesquisa e a criação de cursos de formação de arqueólogos na UFMG. O Patrimônio pré-histórico de Minas Gerais é notável pela importância de preservação de materiais perecíveis, de restos esqueletais humanos de grande antiguidade, pela riqueza dos registros rupestres e a variedade regional das indústrias realizadas sobre matérias-primas muito diversas. A arqueologia histórica, cuja importância cresceu exponencialmente nos dois últimos decênios, é marcada pela importância dos vestígios da mineração de pedras e metais preciosos, dos assentamentos de escravos fugitivos e os remanescentes de fazendas antigas, cujo estudo se desenvolveu comparativamente mais que a arqueologia da urbanização e dos monumentos barrocos.
21 O Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha (PAAJ) e a Área Arqueológica De Serra Negra, Alto Araçuai, Minas Gerais – Aspectos Gerais , Marcelo Fagundes
O Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha (PAAJ) é desenvolvido pelos pesquisadores do LAEP/UFVJM tendo como objetivo central a realização de investigações arqueológicas em uma ampla área no Vale do Rio Jequitinhonha, em especial o Alto Vale, uma vasta área do território mineiro que não contava com pesquisa acadêmica. A Área Arqueológica de Serra Negra, foco central do PAAJ, está localizada na face leste da Serra do Espinhaço Meridional, entre as bacias do Jequitinhonha e Doce. Está constituída por 65 sítios dividido em três complexos. Todos são abrigos sob rocha (em quartzito), a maioria com presença de painéis rupestres, implantados em diferentes biomas que compõem a área. Este capítulo tem como objetivo apresentar as principais características da área arqueológica discutindo questões referentes à implantação dos sítios na paisagem, características geoambientais e repertório cultural analisado. Como norte teórico optou-se em discutir acerca do conceito de paisagem em Arqueologia, baseado, principalmente, no de lugares persistentes. Para tanto, foi necessário adotar a multidisciplinaridade como base de pesquisa, utilizando métodos e técnicas de várias Ciências para fins arqueológicos. Como resultado espera-se uma compreensão mais assertiva acerca do sistema regional de assentamento, bem como evidenciar as principais características do repertório cultural.
22 Pedras na areia. As indústrias líticas e o contexto horticultor do Holoceno Superior na região de Diamantina, Minas Gerais , Andrei Isnardis
As ocupações pré-coloniais recentes da região de Diamantina são apresentadas neste trabalho com base nas pesquisas desenvolvidas pelo Setor de Arqueologia do MHNJB da UFMG. A ênfase deste artigo recai sobre uma proposta interpretativa para os papéis dos sítios com abrigo no modo de se viver na Serra no Holoceno Superior, contexto em que há veementes vestígios de horticultura, um quadro de escassez geral de cerâmica e ausência de sítios semelhantes a aldeias. A partir daí, procuro tecer reflexões sobre o modo que convencionalmente se têm tratado as ocupações de horticultores do Cerrado na arqueologia brasileira. 
23 A Arqueologia no Extremo Oeste de Minas Gerais , Márcia Angelina Alves
Este artigo refere-se à arqueologia do vale do rio Paranaíba, região oeste do estado de Minas Gerais, tendo como objetivo principal apresenta uma síntese das pesquisas acadêmicas e de contrato desenvolvidas na região, sobretudo do Projeto Arqueológico Quebra Anzol, desenvolvido por Alves e equipe desde 1980. Também  houve uma preocupação em apresentar  os diferentes métodos, técnicas e conceitos empregados nas pesquisas arqueológica de campo para se obter dados inequívocos acerca da cultura e modo de vida das populações que ocuparam a região, além de apresentar a cronologia obtida para os vários assentamentos. O artigo é finalizado com uma apresentação pormenorizada da cultura material evidenciadas nessas escavações. 
24 Experimentações da percussão sobre bigorna no cristal de quartzo , Maria Jacqueline Rodet Deborah Duarte-Talim Henry Luydy Abrahaan Fernandes
No Brasil, existe uma abundância de indústrias líticas pré-históricas realizadas sobre cristal de quartzo. Esta matéria prima tem sido trabalhada tanto pela percussão direta dura, quanto pela percussão sobre bigorna. Neste artigo, propõe-se apresentar as experimentações realizadas referentes à percussão sobre bigorna. Os trabalhos tiveram como guia a metodologia adaptada da Escola Francesa e o Programa Experimental foi baseado nas problemáticas levantadas pelo estudo da coleção lítica proveniente do sítio arqueológico Bibocas II, localizado no município de Jequitaí, estado de Minas Gerais. 
25 Lugares, Estilos e Produção dos Grafismos Rupestres na Serra do Cipó , Alenice Baeta
Este artigo apresenta um panorama geral sobre os aspectos estilísticos, produção das figuras e implantação dos abrigos arqueológicos nos afloramentos quartzíticos e calcários da Serra do Cipó, porção meridional da Serra do Espinhaço, a 100 km da capital mineira.
26 Onde É Que Se Grafa? As Relações Entre os Conjuntos Estilísticos Rupestres da Região de Diamantina (Minas Gerais) e o Mundo Envolvente , Vanessa Linke
Este trabalho foi apresentado no I Seminário de Arqueologia Memória e Patrimônio, realizado pelo Museu de Ciências Naturais da PUC Minas. Seu objetivo é refletir sobre a relação entre os homens viventes no período chamado por nós de pré-história e o mundo envolvente, a partir da análise de distribuição dos conjuntos gráficos rupestres da região de Diamantina. Parte dos dados aqui apresentados foram construídos em dissertação de mestrado defendida em 2008 a partir de uma abordagem da Arqueologia da Paisagem. Mas o tempo decorrido desde então ofereceu algumas modificações ao texto original em função de novas questões e inspirações.
27 Arte Rupestre de Jequitaí/MG: Suas Relações Internas em Oposição ao Contexto Arqueológico do Centro Norte Mineiro , Rogério Tobias Junior
O presente artigo apresenta nossa abordagem descritiva e analítica e propõe uma primeira aproximação interpretativa da arte rupestre da região de Jequitaí/MG, situada na bacia do rio São Francisco. Como se situa entre áreas arqueologicamente pesquisadas no Centro e Norte mineiro nos últimos 50 anos, buscamos investigar as relações propostas anteriormente pela bibliografia e a compreensão de como os diferentes conjuntos gráficos poderiam se articular na área pesquisada e em relação às grandes Unidades Estilísticas já propostas. Apresentamos assim, os primeiros elementos necessários à integração da região de Jequitaí ao seu contexto arqueológico macro regional, ao mesmo tempo em que buscamos compreender os processos que geram as idiossincrasias no registro rupestre local, a nosso ver, participantes de parte dos processos conformadores da paisagem. 
28 Cativos do Diamante. Etnoarqueologia, Garimpo e Capitalismo , Loredana Ribeiro
A introdução da mineração industrial no Brasil acompanhou a internacionalização e consolidação do capitalismo no mundo não europeu. Naquela época, início do século XIX, boa parte da população das Minas Gerais se dedicava à mineração em pequena escala, tratada então por faiscação e hoje por garimpo. Enquanto legisladores e cientistas oitocentistas criaram um discurso racional sobre a mineração local que imputava às formas tradicionais de exploração a decadência, o desperdício, a improdutividade e a pobreza, as narrativas garimpeiras descrevem um rico universo de interações entre comportamentos sociais e mundo material, onde homens, mulheres, crianças, técnicas, jazidas, artefatos e seus significados se entrelaçam. Este texto trata do conflito entre as duas formas de mineração, especialmente interessado nos modos de interação e nos meios pelos quais os coletivos locais reagiram (e reagem) às imposições da mineração capitalista. 
29 Tecnologia e Território no Centro-Norte mineiro: um estudo de caso na região de Montes Claros, MG, Brasil , Lucas Bueno
Desde meados da década de 1970, a região do Centro-Norte mineiro tem sido estudada por diferentes pesquisadores, contribuindo de forma significativa para a construção do conhecimento atualmente disponível a respeito de tecnologia lítica em geral e do processo de ocupação do Planalto Central brasileiro. A fim de contribuir para essa discussão, apresentamos aqui os resultados obtidos através da escavação e análise dos vestígios arqueológicos oriundos de dois abrigos sob-rocha na região de Montes Claros. A partir dos dados apresentados, levantamos algumas hipóteses sobre a dinâmica e o processo de ocupação dessa macro-região, articulando a região de Montes Claros com as regiões Central e Norte de Minas em diferentes períodos ao longo do Holoceno.
30 Arqueologia em Unidades de Conservação na Região de Diamantina – MG. As sucessivas ocupações de suas paisagens e cavidades , Alenice Baeta Henrique Piló
O presente artigo visa apresentar algumas informações levantadas no programa de Diagnóstico Arqueológico realizado nas áreas de abrangência de três unidades de conservação estaduais, a dizer, Parques Estaduais do Pico do Itambé-PEPI, Rio Preto-PERP e Biribiri-PEB, situados na região de Diamantina, Minas Gerais, como parte integrante do programa de zoneamento e plano de manejo dos mesmos. Pretende-se ainda descrever e contextualizar sucintamente alguns dos sítios mais significativos identificados em cada Unidade de Conservação (UC), em função da qualidade de seus testemunhos e vestígios neles encontrados. Na última parte, serão então, apresentadas algumas diretrizes relativas à proteção e valorização do patrimônio arqueológico contido nas UCs aqui focalizadas.
31 Revista Espinhaço / Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) - Diamantina, 2014. , Douglas Sathler
32 Editorial , George Martine
33 Sustentabilidade, Aquecimento Global e o Decrescimento Demo-econômico , José Eustáquio Diniz Alves
O crescimento econômico e populacional exponencial é um fenômeno recente na história da humanidade. Durante milênios, a humanidade conviveu com baixas taxas de crescimento demo-econômico. Porém, após a Revolução Industrial e Energética (utilização de combustíveis fósseis), ocorrida no final do século XVIII, a humanidade expandiu as atividades antrópicas por todos os cantos do Planeta, com grande impacto negativo na sustentabilidade dos ecossistemas. O Antropoceno - época da dominação humana - representa um novo período da história da Terra em que o ser humano se tornou a causa principal da escalada global da mudança ambiental e do aquecimento global. O objetivo deste texto é debater a insustentabilidade do modelo de produção e consumo hegemônico e sobre como fazer a transição para um modelo de estado estacionário ou de decrescimento.
34 Por uma reflexão demográfica das mudanças ambientais no Brasil , Marden Babosa de Campos
A relação entre a população e o ambiente tem ganhado cada vez mais atenção dos demógrafos no Brasil, sem que se tenha, entretanto, consolidado até hoje o que é próprio da demografia em relação à problemática ambiental. O presente artigo pretende contribuir para essa discussão, mostrando que temas específicos da análise demográfica têm muito a contribuir para a compreensão da relação entre população, sociedade e ambiente no Brasil. Tratando de aspectos como ciclo de vida, idade e coorte, o artigo busca chamar a atenção para a forma como a transição da estrutura etária da população, a ser experimentada pelo Brasil nas próximas décadas, pode ser relacionada às mudanças ambientais iminentes. O acelerado processo de envelhecimento da população poderá ter impacto significativo sobre os padrões de consumo da sociedade, assim como alterar a vulnerabilidade da população às condições ambientais vivenciadas no futuro.
35 Riscos ambientais, percepção e adaptação em zonas costeiras: o caso de Ilha Comprida , Francine Modesto Roberto Luiz do Carmo
A proposta deste trabalho é verificar quais grupos populacionais estão expostos aos riscos ambientais do município de Ilha Comprida, localizado no litoral Sul de São Paulo, considerando principalmente o perigo decorrente da erosão costeira que ocorre na parte Norte da Ilha. A metodologia utilizada para relacionar riscos ambientais já existentes e/ou agravados pelas mudanças ambientais e suas consequências para populações que vivem nesta área costeira foi, por um lado, a construção de um arcabouço conceitual, através de levantamento e análise bibliográfica sobre a temática dos riscos ambientais, vulnerabilidade e adaptação. Por outro lado, a utilização de métodos quanti-quali a partir dos dados dos Censos Demográficos (2000 e 2010) e da realização de entrevistas qualitativas, através de questionários semiestruturados. As entrevistas com a população residente levaram em consideração a localização da residência (considerando a distância em relação à linha da praia), percepção dos problemas ambientais da Ilha, estratégias para lidar com esses perigos e a percepção sobre a responsabilidade do poder público em casos de ocorrência de desastres. O estudo da percepção ambiental dos perigos e a vulnerabilidade sociodemográfica dessa população são elementos chaves para a compreensão do envolvimento das pessoas com o lugar e as suas estratégias de enfrentamento para lidar com os perigos ambientais do município. A pesquisa empírica mostrou que alguns moradores relacionam as mudanças ambientais da ponta da Ilha (também) às mudanças climáticas, sendo que de forma geral todos conhecem a interferência do Mar Pequeno no fenômeno de erosão da praia. Outros problemas ambientais foram apontados pelos moradores como sendo mais graves do que a erosão, pois estes atingem toda a população do município, como por exemplo, a poluição do rio Candapuí, a falta de saneamento e coleta de esgoto, atolamento de carros nas ruas não asfaltadas e problemas com a coleta do lixo. As estratégias de enfrentamento dos problemas ambientais que os moradores vivenciam no Norte da Ilha são individuais e não coletivas. Não ocorrem ações conjuntas, por exemplo, entre residentes e veranistas, já que o vínculo deles com o lugar é diferente, o que dificulta uma solução mais ampla e efetiva por parte administração pública para enfrentar os problemas ambientais do município.
36 Recorte municipal do Sudeste e Sudoeste Paranaense: relação entre os fatores sociais e econômicos com o desflorestamento na Floresta Ombrófila Mista? , Henrique Luis Godinho Cassol Elisabete Caria Moraes
É possível identificar as causas de desmatamento na Floresta Ombrófila Mista baseando-se em fatores econômicos e sociais da população? Estes fatores são equivalentes em áreas com diferentes taxas de desmatamento? Para responder estas questões foram avaliadas as áreas municipais em duas regiões no estado do Paraná. A primeira, com perda quase nula de floresta, em uma década, e a outra com perda de quase 15.000 ha, durante o mesmo período. Os fatores econômicos e sociais da população foram correlacionados com as perdas de floresta em cada município. Depois, foi utilizada uma análise de cluster hierárquica para agregar variáveis dentro de grupos similares. Para a região com perda quase nula de floresta, não houve correlação significativa entre os fatores analisados e o desmatamento observado. Por outro lado, as taxas de desmatamento para a região com perda de 15.000 ha foram fortemente correlacionadas com os fatores sociais, em primeiro lugar, e econômicos, em segundo. Mais especificamente, as taxas de desmatamento foram mais fortemente correlacionadas com as atividades agrícolas e florestais, respectivamente.
37 Análise Espacial em População e Ambiente: aplicação para o estudo da dengue em Caraguatatuba, São Paulo, em 2013 , Igor Cavallini Johansen Roberto Luiz do Carmo Maria do Carmo Dias Bueno
O objetivo deste artigo foi evidenciar as potencialidades do uso das ferramentas do geoprocessamento e da análise espacial no campo das discussões acerca das inter-relações entre as dinâmicas da população e do ambiente. Para tanto, observouse o caso da influência da distribuição dos serviços de saneamento ambiental na dispersão dos casos de dengue no município de Caraguatatuba, no estado de São Paulo, no ano de 2013. A metodologia compreendeu a distribuição das informações do Censo Demográfico de 2010 em grades regulares, realizando em seguida a aplicação de uma análise de cluster e do Índice Local de Moran. Os resultados indicam que, pelo fato de a dengue ser uma doença multicausal, as ferramentas de geoprocessamento e análise espacial podem potencializar imensamente a compreensão do papel desempenhado por alguns desses fatores causais através do seu isolamento em relação aos demais.
38 Estudo da vulnerabilidade socioambiental e percepção de risco dos moradores do Morro dos Piolhos - Ouro Preto-MG , Wilton Reginaldo José de Oliveira Fernando Gomes Braga
Em Janeiro de 2012, a população residente em uma encosta conhecida como Morro dos Piolhos, localizada no Bairro São Francisco, em Ouro Preto (MG), se viu em grande ameaça de perder suas residências e suas vidas em função de um deslizamento de terras. O evento ganhou notoriedade na mídia com o soterramento da rodoviária da cidade e duas vítimas fatais. Frente ao acontecido a população foi temporariamente removida pela prefeitura. Contudo, ao longo dos primeiros meses de 2012 os residentes voltaram as suas casas e seguiram normalmente com suas rotinas. Diante disso, o presente estudo trás um diagnóstico da situação de risco socioambiental em que se encontram os moradores do Morro dos Piolhos através da análise de três documentos: o Plano Diretor do município (2006), a carta geotécnica e o zoneamento urbano do distrito sede. Frente a constatação técnica do risco, aplicou-se um questionário de percepção que avaliou o quanto a população está consciente de sua situação e quais razões motivam a permanência no local. Os resultados indicam que os entrevistados são vulneráveis aos perigos existentes no local não apenas pelo baixo status socioeconômico, mas também, pela pequena quantidade de informação que circula entre a comunidade.
39 O espaço produzido e consumido pelas rodovias: o caso da duplicação da Rodovia dos Tamoios – SP , Edvaldo Gonçalves de Amorim Leonardo Freire de Mello
Este artigo discute o espaço socialmente produzido e consumido partindo do pressuposto que ele é, primeiramente, transformado no campo das ideias – neste caso, provenientes do ideário capitalista – e que se consolida através de articulações políticas que irão proporcionar as condições necessárias para que essas ideias sejam fisicamente estruturadas no espaço geográfico. Esta forma de estruturação física é denominada nesse trabalho como eixo estruturante que vai propiciar que transformações ocorram. Exemplo disso são as rodovias brasileiras, que polarizaram o crescimento econômico em diferentes regiões e momentos históricos, sempre a partir da mobilidade pautada no automóvel. Para discutir o tema, o trabalho apresenta e analisa criticamente a duplicação da Rodovia dos Tamoios (SP-99), seus impactos potenciais sobre algumas cidades às suas margens e a falta de integração destas ao contexto das políticas de desenvolvimento regional.
40 O Rio e as cidades: uma análise exploratória de dependências e alcances das comunidades do Arapiuns (Pará-Brasil) e da formação do urbano na Amazônia , Ana Paula Dal’Asta Silvana Amaral Antônio Miguel Vieira Monteiro
Considerando as comunidades ribeirinhas dos rios Arapiuns, Maró e Aruã, no Sudoeste Paraense como unidades socioespaciais que estruturam o fenômeno urbano na escala local, este artigo apresenta uma análise dos dados de campo que as descrevem. Questionários semiestruturados aplicados a 49 comunidades proveram 32 variáveis, usadas para compor cinco indicadores, que descrevem as condições de infraestrutura, saúde e educação, presença do estado, uso da terra e organização da comunidade. Com o objetivo de investigar a dependência a centros urbanos quanto às condições das comunidades, e a existência de situações similares para discriminar grupos de comunidades, técnicas estatísticas de análise de regressão simples e de agrupamento foram utilizadas. A distância fluvial até Santarém não explicou a variabilidade nos indicadores, apesar de influenciar o uso da terra e a presença do Estado. A organização das comunidades, explicou em parte os indicadores de Saúde e educação e de Infraestrutura. Da análise de agrupamento obtiveram-se três grupos de comunidades, evidenciando a variabilidade de suas condições, sendo os indicadores de Saúde e educação e de organização das comunidades os principais atributos para diferenciá-las. Esta caracterização inicial das comunidades do Arapiuns investiga a importância da distribuição espacial nas condições das comunidades e a possibilidade de agrupá-las, contribuindo para estudar a estrutura e organização do território amazônico; informações que podem ser úteis para o planejamento de políticas públicas nesta escala.
41 Mobilidade e vulnerabilidade no litoral Norte de São Paulo: articulações escalares entre o lugar e a região na urbanização contemporânea , Eduardo Marandola Jr Cesar Marques Luiz Tiago de Paula Letícia Braga Cassaneli
Na urbanização brasileira, assistimos a contínua metropolização e a formação de aglomerações urbanas que extrapolam a dimensão do intraurbano, formando regiões de urbanização maiores e interligadas, cúmplices dos processos de produção de riscos. Nesse sentido, a escala regional torna-se fundamental para integrar processos locais (que se manifestam no lugar) e aqueles de ordem maior, como a distribuição espacial da população e as mudanças ambientais. Exploramos esta discussão no Litoral Norte do Estado de São Paulo, região que passa por mudanças ambientais de toda ordem, ao mesmo tempo em que presencia processos de mudança populacional, com grandes empreendimentos, intensa urbanização e consequências à recente Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, criada em 2012. A partir da análise de lugares específicos, problematizamos a relação vulnerabilidade do lugar, contextualizados na escala regional da aglomeração urbana de Caraguatatuba e São Sebastião, área de maior conurbação na região.
42 Avaliação de métodos de desagregação para geração de grades de população , Maria do Carmo Dias Bueno Álvaro de Oliveira D’Antona
O objetivo deste trabalho é avaliar métodos de desagregação de dados para gerar grades de população, utilizando como referência uma grade gerada através da agregação de microdados censitários, o que permite obter resultados mais precisos acerca do desempenho desses métodos. Para realizar a avaliação foram selecionadas três metodologias. A primeira utiliza uma matriz contendo os erros e acertos na identificação de áreas povoadas e não povoadas, permitindo avaliar a acurácia da distribuição espacial da população. A segunda utiliza uma regressão linear cujos coeficientes permitem avaliar a qualidade da adequação aos dados de referência. Finalmente, utilizamos uma fórmula para calcular a diferença entre os valores de população, indicando se há uma subestimação ou superestimação. Os resultados sugerem que a escolha da metodologia mais adequada depende dos objetivos a que se destina a grade de população, bem como da disponibilidade e qualidade dos dados auxiliares, além das características da área de estudo.
43 Vulnerabilidade socioecológica nas áreas ocupadas nos municípios de Caraguatatuba e São Sebastião, litoral norte de São Paulo: medidas e representações , Tathiane Mayumi Anazawa Flávia da Fonseca Feitosa Antônio Miguel Vieira Monteiro
Este trabalho apresenta uma análise temporal da vulnerabilidade da região litorânea que compreende os municípios de Caraguatatuba e São Sebastião, baseada na metodologia de operacionalização do conceito de Vulnerabilidade Socioecológica apresentada por Anazawa (2012). A abordagem metodológica adotada atualiza e estende a caracterização de perfis de ativos de famílias ou grupos populacionais, para acomodar dimensões inerentes aos territórios em que estes vivem. Desta forma, torna-se possível observar e medir diferenciais intraurbanos para a vulnerabilidade. Os resultados analisados mostraram a heterogeneidade das condições de vulnerabilidade nas distintas regiões dos municípios através dos mapas de superfícies de vulnerabilidade socioecológica, por meio da construção do índice sintético IVSE e seus componentes para os anos de 1991 e 2000, em uma primeira abordagem operacional. No painel de observações, que auxilia na visualização das múltiplas dimensões da vulnerabilidade, foi possível verificar que as representações gráficas e tabulares foram capazes de demonstrar diferenciações do grau de acesso das famílias a cada categoria de capital, evitando assim análises simplificadas baseadas exclusivamente em índices sintéticos.
44 Revista Espinhaço entrevista: Lori M. Hunter (University of Colorado Boulder) , Douglas Sathler Roberto Luiz do Carmo
45 Harvey, David. Rebel Cities: From the right to the city to the urban revolution. London & New York: Verso, 2012 , Heloisa Soares de Moura Costa Diomira Maria Cicci Pinto Faria
46 Editorial Revista Espinhaço , Carlos Alberto Dias
47 A ocorrência de dumortierita na Serra do Espinhaço, Minas Gerais, Brasil, e sua comparação mineralógico-cristalográfica com outras variedades , Adolf Heinrich Horn Yves Fuchs Soraia de Carvalho Neves Etienne Balan
Amostras de dumortierita de várias localidades do Brasil (Serra do Espinhaço-Minas Gerais Macaúbas-Bahia) foram analisadas com microssonda e os resultados comparados com amostras dos depósitos de dumortierita de Louvincourt (Quebec, Canada), Lincoln Hill-Champion Mine (Nevada, USA), do Jack Creek (Montana), do Acuélos (Chile) e do Madagascar (localidade de origem desconhecida). Foram executadas nestas amostras análises com FTIR, ERP, Mössbauer. A espectroscopia FTIR mostra a existência de vários ambientes para o OH- grupos que são relacionadas com a substituição ou a vacância de posições octaedrais M1. Mössbauer espectroscopia indica Fe++ em duas diferentes posições octaedrais e Fe+++ em uma posição octaedral e IVCT e IMMT. ERP mostra também a presença de Fe+++ em várias posições. Os outros sinais indicam que a Fe+++ paramagnético a uma posição tetraédrica ou posições octaedrais mais torcidas.
48 Vestígios da mineração de ouro na Serra do Veloso: uma contribuição à geo-história de Ouro Preto-MG , Kátia Maria Nunes Campos
O descobrimento de ouro, no riacho do Tripuí, em 1698, promoveu o surgimento e a urbanização precoce da cidade de Ouro Preto, em local inóspito e de difícil topografia. A intensa mineração nos aluviões, galerias e lavras a céu aberto, desempenhada por grandes contingentes de escravos, produziu profundas alterações na morfologia das áreas mineradas dos morros circundantes. Nas antigas áreas de mineração, a expansão da malha urbana é consequência do rápido crescimento populacional ocorrido no último quartel do século XX, destruindo importantes remanescentes arqueológicos e ocupando áreas impróprias e instáveis, criando um quadro problemático e de difícil solução. Esse artigo aborda a área mais ameaçada da Serra do Ouro Preto, a chamada Serra do Veloso, que guarda ainda um desses sítios arqueológicos, com importantes remanescentes construtivos da mineração do passado.
49 Acesso à água no Semiárido Brasileiro: uma análise das políticas públicas implementadas na região , Jucilaine Aparecida de Andrade Marcos Antônio Nunes
Há mais de um século o Semiárido brasileiro é alvo de políticas públicas para o abastecimento d’água de sua população, embora os resultados até então demonstraram ser pouco efetivos. Em 2011, o governo federal instituiu o Programa de Universalização do Acesso à Água – Água para Todos, por meio do qual estabeleceu como meta principal a implantação de cisternas para captação da água de chuva, além de outros sistemas orientados ao consumo humano. O programa visa promover a universalização do acesso à água no Brasil, e o foco é a região do Semiárido. A proposta deste trabalho é recapitular e analisar as principais intervenções públicas realizadas no Semiárido brasileiro para garantir o abastecimento de água das comunidades sertanejas. As políticas públicas implementadas para o Semiárido brasileiro ainda não alcançaram os objetivos almejados. Por muitos anos as intervenções públicas pautaram-se no paradigma do “combate às secas” e na solução hidráulica. Ainda, o atual programa de implantação de cisternas para captação da água de chuva necessita da complementação de políticas habitacionais, além da elaboração de planos de logística para abastecimento das cisternas com águas de caminhões-pipa, e ações regulares de controle da qualidade da água armazenada.
50 Percepção ambiental, conhecimento sobre natureza regional e práticas de Educação Ambiental de professores de zonas urbana e rural do município de Diamantina, MG , Maíra Figueiredo Goulart Núbia Cristina Pinto Luísa Cunha Cota
Identificamos e comparamos a percepção ambiental, o conhecimento sobre a natureza local e práticas educativas ambientais de professores do ensino fundamental em zonas urbana e rural de Diamantina, MG. Em geral, os professores não demonstraram perceber a interdependência entre os elementos naturais e sociais no meio ambiente e conceituam Educação Ambiental como um processo de transmissão de conhecimento. A maioria realiza atividades de Educação Ambiental esporadicamente e desconhece aspectos relevantes da natureza regional e das ameaças que pairam sobre ela. De modo geral, os professores acreditam que seria adequado aumentar a frequência e a qualidade das atividades de Educação Ambiental bem como transmitir conhecimento e incentivar a valorização da natureza regional pelos alunos, e apontaram a necessidade de atualização/capacitação. Não foram detectadas diferenças significativas entre os professores das zonas urbana e rural, mas recomenda-se que ações de formação considerem as especificidades locais das escolas em seu planejamento, para que correspondam às expectativas do público e atendam melhor as suas reais necessidades.
51 Estudo de localização de centrais termoelétricas solares de grande porte no estado de Minas Gerais , Chigueru Tiba Ruibran Januário dos Reis Melina Amoni Silveira Soares
A energia solar vem ganhando espaço no cenário mundial. Porém, no Brasil, ainda não é explorada em projetos de grande porte. Entretanto, sabe-se que o país dispõe de áreas com irradiação direta de alta intensidade e fator de sazonalidade baixa, sobretudo no semiárido e, particularmente, no Norte e Nordeste de Minas Gerais. Este artigo tem por objetivo avaliar a localização para instalação de centrais solares termoelétricas em Minas Gerais, utilizando a tecnologia de Sistema de Informações Geográfica (SIG). Identificaram-se níveis de irradiação bastante promissores para geração de energia solar chegando ao valor de 2200-2400 kWh/m²/ano, nas regiões Norte e Nordeste do Estado. Estas regiões possuem áreas planas, disponibilidade de recursos hídricos, baixa aptidão agrícola e boa cobertura de linhas de transmissão. Considerando estas variáveis relevantes, chegou-se à classificação de seis áreas promissoras (região de Janaúba, Januária, Pirapora e Unaí, Pirapora e Paracatu, Curvelo e Três Marias, Patrocínio e Araxá). Cabe ressaltar, que esse potencial poderá ser explorado em médio prazo, com o esgotamento de outras fontes de energias.
52 Espaço, população e economia: dos subespaços proeminentes ao transporte público premente , Ralfo Matos Rodrigo Nunes Ferreira
O artigo apresenta os grandes números do Censo sobre algumas questões que afligem boa parte da população brasileira. O estudo mostra a significativa e generalizada redução do desemprego no país, com crescimento da proporção dos trabalhadores formais, acompanhada da redução da participação relativa da capital paulista e seu core imediato no emprego formal, na massa salarial e no Valor Adicionado Fiscal, o que motivou a investigação dos impactos socioespaciais deste processo de desconcentração econômica nas cidades médias brasileiras. Mostra-se que nas cidades médias o tempo de deslocamento gasto no trajeto casa-trabalho é relativamente menor, e assim foram estimados os valores do adicional de remuneração se os custos forçados do deslocamento fossem remunerados pelo valor do rendimento médio. Os resultados mostram o contraste entre os dois subespaços proeminentes (core RMSP e cidades médias), e introduz a questão da premência do transporte público de qualidade nas principais cidades brasileiras na atualidade.
53 Resenha: Galizoni, Flávia Maria. A terra construída: família, trabalho e ambiente no Alto do Jequitinhonha, Minas Gerais. Fortaleza: Editora do Banco do Nordeste, 2000 , Ana Pimenta Ribeiro
54 Revista Espinhaço entrevista: Filipe Duarte Santos (Universidade de Lisboa) , Douglas Sathler
55 Editorial Revista Espinhaço , Diego Rodrigues Macedo
56 Uma contribuição para o entendimento da segregação urbana: exploração, dominação e valorização , Thiago Canettieri Thiago Pereira Rita de Cássia Liberato
O artigo traz um conjunto de reflexões sobre a segregação espacial, pensada como uma estrutura econômica de exploração da força de trabalho, de valorização do capital e de dominação social nos centros urbanos. Conhecer a produção teórica em torno do tema é fundamental para a compreensão da (re)produção da segregação espacial em determinadas situações. Primeiramente, o artigo explora o conceito de espaço, permitindo a construção de um objeto claro que será, em seguida, analisado a partir do fenômeno da segregação. A seguir, o texto traz um levantamento bibliográfico sobre a segregação espacial urbana, com base numa discussão das colocações teóricas dos principais autores que assumem uma perspectiva crítica da realidade. Finalmente passa-se a discussão sobre como a segregação pode ser entendida como mecanismo e estratégia do capital. O trabalho demonstra que a segregação deve ser entendida como uma estrutura econômica abstrata que (re)produz a dominação objetiva sobre as pessoas. O capital também determina o espaço, sendo a segregação uma das possíveis formas de determinação.
57 Municípios recém-criados no Vale do Jequitinhonha e promoção da cidadania: uma análise comparativa dos indicadores de bem-estar social , Marcos Antônio Nunes Gabriel Luís Nogueira de Oliveira
No decorrer da década de 1990 foram criados no Brasil mais de mil municípios; em Minas Gerais o número foi superior a cem, e no Vale do Jequitinhonha foram vinte e quatro. Este surto emancipacionista reflete a maior autonomia outorgada pela Constituição Federal de 1988, que permitiu aos estados da federação legislarem sobre o tema. Vis-à-vis as vantagens e desvantagens das emancipações, observou-se que a partir daquela década os municípios recém-criados apresentaram maior evolução nos indicadores de bem-estar social que as demais categorias. No final do período de análise (2000-2010), verificou-se que os indicadores sintéticos praticamente se equalizaram, o que demonstra ter ocorrido uma redução das desigualdades sociais entre os municípios do Vale do Jequitinhonha. As dimensões sociais que mais contribuíram para o desenvolvimento social dos novos municípios foram a cultura, o lazer, a assistência social e a educação.
58 Possibilidades dialógicas percebidas em Matrix Revolutions (2003) e algumas aberturas a noções acerca dos conceitos geográficos , Rúbia de Paula Rúbio Gilvan Charles Cerqueira de Araújo
Este artigo pretende estabelecer um diálogo entre as possibilidades interpretativas do filme Matrix Revolutions, em sua trilogia, com discussões acerca das noções geográficas, a saber: lugar, região, território, paisagem e espaço. Estas noções também são assumidas como possibilidades interpretativas, a despeito de convergir com algumas definições de autores que serão apresentadas. Neste sentido, irá se priorizar o que o filme pode vir a ser em cada leitura e em cada espaço-tempo de releituras de suas múltiplas significações, em diálogo vívido com a Geografia. Uma grande contribuição da trilogia Matrix se refere ao olhar complexo e não facilmente demarcatório dos conceitos geográficos, que demonstram se definir e redefinir em constante diálogo que entre eles se estabelecem.
59 Transporte sobre trilhos em Belo Horizonte: trilhas em um palimpsesto urbano , Isaac Henriques de Medeiros
A paisagem urbana é moldada pela dinâmica da sociedade que ao interagir no espaço insere suas características deixando registros que podem permanecer como impressões das características de um dado tempo. Com esse entendimento, utilizando da metáfora do palimpsesto urbano como referência, o presente trabalho traz uma avaliação histórica do processo de descaracterização da infraestrutura de transporte de Belo Horizonte, com a substituição do transporte sobre trilhos por outros atributos do tecido urbano. O estudo apresenta uma avaliação da malha de trilhos do território de Belo Horizonte em dois momentos distintos, com base em ferramentas de análise espacial e através de dois tipos de registros documentais distintos: cartas topográficas do IBGE em escala 1:50.000 de 1960 a 1980 e imagens orbitais recentes fornecidas pelo software Google Earth.
60 Aplicação da análise complexa em estudos geográficos: proposta de regionalização da Serra do Cipó , Solano de Souza Braga Bernardo Machado Gontijo Guilherme Augusto Pereira Malta Maria Flávia Pires Barbosa
As distintas visões que existem sobre a Serra do Cipó e a ausência de uma definição mais abrangente da região causam inconsistências nas delimitações da área de estudo. De maneira geral, o termo “Serra do Cipó” pode ter diversos significados: um distrito, um Parque Nacional, uma Área de Proteção Ambiental, uma cabeceira de drenagem, um Circuito Turístico, dentre outras. Com base no método de análise complexa, o artigo objetiva apresentar uma definição de região que congregue as principais características e elementos naturais e humanos da Serra do Cipó. Para isso, foi proposto um recorte regional para a Serra do Cipó a partir da sobreposição de elementos históricos, ambientais, territoriais, culturais e socioeconômicos. Atualmente, o turismo é o agente que mais contribui para que a imagem da Serra se consolide e se associe, sobretudo, à questão ambiental. Assim, definiu-se como região a área composta pelos municípios que agregam o maior número de elementos que fortalecem a identidade “Serra do Cipó”.
61 Resenha: Maricato, Erminia. O impasse da política urbana no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2011 , Pacelli Henrique Martins Teodoro
62 Revista Espinhaço entrevista: Marco Follador (Waycarbon – BHTEC/UFMG) , Douglas Sathler
63 Editorial Revista Espinhaço , Miguel Fernandes Felippe
64 Reflexões sobre os critérios de cálculo de vazões outorgáveis em áreas de conflito do estado de Minas Gerais: o caso da Bacia do Ribeirão Ribeiro Bonito , Rodrigo Silva Lemos Antônio Pereira Magalhães Junior
O artigo realiza a comparação entre diferentes técnicas de regionalização de vazão adotadas nos processos de gestão de recursos hídricos em Minas Gerais e os resultados de medições hidrométricas realizadas em campo. Para ilustração dos dados e estudos é considerada a bacia hidrográfica do ribeirão Ribeiro Bonito, único local na bacia do Rio das Velhas em que foi oficializada uma Declaração de Área de Conflito (DAC), diante da baixa disponibilidade de quantidade de água em relação às demandas existentes. A pesquisa destaca que diferentes técnicas de regionalização de vazão geram variados resultados se aplicados a áreas com limitações de dados e, em especial, a áreas de cabeceira de cursos d’água.
65 Estilos Fluviais de Fundos de Vale no Quadrilátero Ferrífero: o caso do Ribeirão do Gaia , Patrícia Garcia Costa Antônio Pereira Magalhães Junior
O estudo trata da identificação de estilos fluviais de fundos de vale segundo adaptação das propostas de Brierley e Fryirs (2005) e Rosgen (1994). Busca-se gerar um panorama espacial de classificação dos fundos de vale que possa ser útil para posteriores trabalhos, adotando um estudo de caso para ilustrar a aplicação da metodologia. O objetivo geral é identificar e classificar os estilos fluviais presentes nos fundos da bacia do Ribeirão do Gaia, pertencente à bacia do Alto Rio das Velhas, Minas Gerais. O vale deste ribeirão ilustra o panorama da geomorfologia fluvial da borda NE do Quadrilátero Ferrífero, um dos mais conhecidos e importantes domínios geomorfológicos do país. O trabalho baseou-se na integração de técnicas de gabinete e dados de campo para a elaboração de uma proposta de classificação dos fundos de vale, tendo como resultado a identificação de seis configurações. Cada configuração demonstra processos e formas fluviais específicos, assim como as consequências das ações antrópicas regionais.
66 A geodiversidade na Unidade de Conservação do Parque Nacional da Serra do Cipó (MG) , Adriana Lacerda de Brito
Atualmente, o conceito de Geodiversidade assume uma importância fundamental na organização e na elaboração de medidas de conservação do meio ambiente em todo o mundo. O conceito se apresenta ainda mais relevante em um território marcado pela beleza e pela diversidade natural do Brasil. Este trabalho pretende realizar a análise referente ao tema em um espaço específico, abordando a noção de Geodiversidade no Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra do Cipó para verificar se ele contempla esta noção em sua legislação. Pretende-se averiguar como é realizada e aplicada a temática no seu enfoque normativo; considerando as ações efetivas e permanentes do documento. O trabalho se constitui com base na análise do Plano de Manejo, mais especificamente na verificação dialética do conceito em texto e exercício prático.
67 Avaliação da presença de metais pesados nas águas superficiais da Bacia do Córrego São Mateus, Juiz de Fora (MG), Brasil , Cézar Henrique Barra Rocha Leonardo Pimenta de Azevedo
Atualmente, a Bacia Hidrográfica do Córrego São Mateus tem um histórico de danos ambientais, abrigando o primeiro aterro de Juiz de Fora de 2005 a 2010. Entre as consequências da deposição de lixo urbano e industrial, há o risco de contaminação por metais pesados através do chorume. A mineração também pode aumentar a concentração dos metais na água, pois na mesma bacia, encontra-se a Pedreira Pedra Sul. Buscou-se detectar os elementos As, Cd, Pb, Cu, Hg e Zn nos córregos por meio da sonda Metalyser e confrontar com a legislação. Foi obtida uma amostra por mês (maio a setembro de 2014) nos quatro pontos de coleta. Os resultados mostraram que em todos os pontos havia metais pesados em concentrações superiores às permitidas e, ainda, em todas as amostras, pelo menos um metal estava acima do limite. Esse tipo de impacto pode afetar a saúde dos moradores do local e de toda biota.
68 Zoneamento de Risco à ocorrência de escorregamentos: uma aplicação na bacia do Córrego Matirumbide, Juiz de Fora, MG , Marcelle Gualtieri Honório Pechincha Ricardo T. Zaidan
No Brasil, tem-se a grande influência de processos naturais como os escorregamentos, característicos de áreas morfologicamente declivosas, na modelagem da superfície terrestre. Em áreas urbanas adensadas este processo acarreta na geração de risco para a população residente em áreas de encosta. Desta forma, estudos voltados ao monitoramento e previsão destes eventos se tornam necessários, uma vez que evitariam posteriores perdas e danos, materiais e humanos. Existem algumas metodologias de previsão de escorregamentos, através da utilização de modelos matemáticos e operacionalizadas através de ambiente SIG. Desta forma, a presente pesquisa buscou analisar a representação espacial do risco a ocorrência de escorregamentos na Bacia do Córrego Matirumbide, no município de Juiz de Fora, MG, através da utilização do modelo matemático estatístico de previsão SINMAP. Para que a representação do risco pudesse ser feita foi necessária a elaboração do mapa do uso, ocupação e cobertura da terra, assim como o mapa de probabilidade a ocorrência de escorregamentos. A partir da sobreposição destes dois mapas puderam ser representadas as áreas de risco da bacia, assim como a representação da instabilidade de áreas a partir da relação com a ocupação do terreno e com os processos e dinâmicas superficiais da terra. O mapa final mostrou que 24% da bacia foi caracterizada com alto risco a ocorrência de escorregamentos. A presença destas áreas foi relacionada principalmente pela morfologia do terreno, através do grau de declividade, e a presença de ocupações de baixo padrão infra-estrutural ao longo das áreas de risco. O resultado final mostrou que parte da bacia se caracterizou através da relação da fragilidade social atrelada às ocupações em áreas de risco. Além disso, o SINMAP mostrou ser um modelo pertinente para auxiliar a representação de áreas de risco e sua posterior análise.
69 Aplicação do método Grade of Membership na classificação do grau de naturalização das águas na bacia do Rio Doce , Mirella Nazareth de Moura Miguel Fernandes Felippe
A qualidade da água é um tema de grande importância para diversos campos da ciência e, também, para a gestão ambiental. Assim, trabalhar com novos caminhos para discutir a qualidade da água é tão desafiador quanto relevante. A abordagem comum para a temática é o IQA, um modelo reconhecido internacionalmente e amplamente replicado. Todavia, a rigidez do IQA leva a lacunas em sua interpretação. Métodos estatísticos baseados na lógica nebulosa oferecem ferramentas robustas capazes de captar a complexidade do tema. Diante disso, esse trabalho traz uma proposta metodológica de utilização do método Grade of Membership para avaliar a naturalização das águas. Esse algoritmo pode indicar o quão próximo uma amostra de água está de uma dada condição pristina. Foram utilizados dezesseis anos de dados físicos, químicos e biológicos de águas fluviais, amostradas trimestralmente em 99 estações ao longo da bacia do Rio Doce. Os resultados mostram que todas as amostras verificadas estão distantes de sua condição pristina. Além disso, praticamente todas possuem graus de inserção nas três classes criadas (bom, médio e ruim). Ademais, a lógica nebulosa viabiliza a discussão dos dados para além das classes definidas, apontando os parâmetros mais distantes de sua condição pristina, fornecendo subsídios para iniciativas de planejamento e gestão do meio ambiente e dos recursos hídricos.
70 Landscapes and Landforms of Brazil. Viera B C, Salgado AAR, Santos LJC. (Org.). 2015. Dordrecht: Springer. , Bárbara Thaís Ávila de Oliveira José Oliveira de Almeida Neto Neto
71 Revista Espinhaço entrevista: André Salgado (IGC-UFMG) , André Salgado
72 Editorial Revista Espinhaço , Douglas Sathler
73 Mobilidade pendular e infraestrutura rodoviária nas microrregiões de Minas Gerais , Carlos Lobo Ralfo Matos André Simplício Carvalho
A mobilidade pendular tem tradicionalmente sido utilizada como indicador de integração entre lugares. Com a consolidação dos processos de industrialização e urbanização do país, torna-se cada vez mais relevante examinar a mobilidade pendurar, inclusive como infraestrutura rodoviária pode facilitar ou não o deslocamento dos indivíduos no espaço. Esse artigo como objetivo principal avaliar a possível relação entre a densidade rodoviária na intensidade dos deslocamentos diários para trabalho e estudo entre municípios das microrregiões de Minas Gerais. Como parte da metodologia de análise, foi proposto um Índice de Densidade Rodoviária, que considera as rodovias pavimentadas que compõem a malha do estado até o ano de 2013, bem como o número de sedes municipais e a população residente em cada microrregião. Para análise dos movimentos pendulares foram utilizados os microdados amostrais do Censo Demográfico de 2010, por meio da combinação das variáveis que identificam o município de trabalho e/ou estudo. Os resultados permitiram observar que além de uma relação de baixa determinação, considerados os valores pouco significativos obtidos pela análise de regressão linear geral e local, as regiões do estado que possuíam densa malha rodoviária, em especial na região do triangulo mineiro, também exibiam baixo nível de mobilidade espacial da população. Há, ainda, as microrregiões que se destacavam pela alta mobilidade, como de Belo Horizonte, Ipatinga e Conselheiro Lafaiete, localizadas na porção central de Minas, apesar de uma infraestrutura rodoviária “deficitária”.
74 Uso de Redes Neurais Artificiais na previsão da precipitação de períodos chuvosos , Daniel Dantas Tarço Murilo Oliveira Luz Maria José Hatem de Souza Gabriela Paranhos Barbosa Eduarda Gabriela Santos Cunha
O estudo objetiva estimar a precipitação na estação chuvosa em Diamantina (MG) com base na precipitação das estações secas anteriores por meio de Redes Neurais Artificiais (RNA). Alterou-se a ordem cronológica dos dados de forma que o período seco de um ano estivesse relacionado com o período chuvoso do ano seguinte. Utilizou-se parte dos dados no treinamento e parte na avaliação do desempenho da RNA. Utilizou-se a análise do tipo séries temporais e a melhor rede encontrada foi do tipo função de base radial. A RNA apresentou um erro médio de 10%. A média de precipitação no período de aplicação da rede foi 1.099 mm, enquanto a estimativa média foi 1.128 mm. A utilização de dados dos períodos secos para estimar a precipitação no período chuvoso apresenta resultados satisfatórios e a alteração na ordem cronológica do período seco resultou em uma rede com previsão mais eficaz.
75 A vegetação dos afloramentos calcários na Serra do Cipó , Thamyres S. Gonçalves Rose H. R. da Silva Saimo R. de Souza Maria das Dores M. Veloso Yule Roberta Ferreira Nunes
Na Serra do Espinhaço Meridional, as fitofisionomias de floresta estacional decidual são bastante desconhecidas com relação a sua fitogeografia e a composição florística dessas áreas. Portanto, é importante e necessário que sejam feitas pesquisas que possam auxiliar no conhecimento da flora existente nessas florestas. O presente estudo avalia as mudanças na composição da flora e na estrutura da vegetação em três fragmentos de floresta estacional decidual sobre afloramentos rochosos de calcário na Serra do Cipó, situada na região central de Minas Gerais. Ao longo do gradiente de sucessão ecológica, avalia-se a composições florísticas nos estágios sucessionais inicial, intermediário e tardio. O objetivo foi inventariar as espécies da composição florística dos estratos arbóreo e regenerante e analisar parâmetros estruturais da comunidade florestal, além de fazer uma caracterização e comparação das áreas estudas. Para amostragem, foram inventariadas e identificadas todas as espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em 9 parcelas de 50 metros de comprimento e 20 metros de largura, delimitadas como unidade amostral desse estudo. Também foram inventariadas as plantas lenhosas ocorrentes no estrato regenerante da vegetação. Foram identificas nos dois estratos amostrados, um total de 1.222 indivíduos distribuídos entre 182 espécies. Os resultados mostram que a composição florística permite compreender como a vegetação se regenera no espaço e no tempo e, também, quais os padrões e processos ecológicos definem a estrutura e composição da comunidade arbóreo-arbustiva nos enclaves florestais estudados.
76 Nas margens da linha: território negro e o lugar do branco na ocupação urbana na cidade de Teófilo Otoni em meados do séc. XX , Márcio Achtschin Santos
O artigo objetiva analisar a formação dos espaços urbanos na cidade de Teófilo Otoni nas décadas de 1950 e 1960, caracterizando os territórios apropriados pela elite local em contraposição à comunidade formada por uma mão-de-obra majoritariamente negra que se estabeleceu ao longo da margem da linha da Estrada de Ferro Bahia e Minas. Ao utilizar da categoria Território Negro, nessa pesquisa, busca-se visualizar a construção das relações de solidariedades, enfrentamentos e resistências desse núcleo de ferroviários, bem como as estratégias da elite teófilo-otonense para esvaziamento e fragmentação da consciência negra. Ao dar destaque à construção do mito da imigração alemã em meados do século XX como uma das ferramentas para reforçar o poder dos grupos hegemônicos locais, a condução desse trabalho procura apresentar como desdobramentos desse conflito o debate em torno da ausência de manifestações contra o fechamento da ferrovia em 1966.
77 A cartografia social em ambientes escolares - por uma educação ambiental crítica , Amanda Azevedo Cruz Pacelli Henrique Martins Teodoro
A educação ambiental garante espaço nas escolas brasileiras como uma importante proposta para o enfrentamento dos problemas ambientais, porém, costuma ter uma concepção conservadora e, assim, ser desconexa das realidades locais. Para tanto, o artigo visa analisar a educação ambiental ensinada nos ambientes escolares no município de Diamantina/MG, a fim de atualizá-la temporo-espacialmente. As prioridades ambientais do entorno de nove escolas do ensino fundamental foram registradas via mapeamento participativo, juntamente à análise dos livros didáticos adotados por estes locais de modo a identificar e caracterizar suas abordagens ambientais. De modo geral, os produtos cartográficos representaram questões associadas a resíduos sólidos, efluentes e poluições hídrica, sonora e atmosférica, sem trazer elementos que apontem para as relações de poder e os consequentes embates por hegemonia que estrutura a sociedade moderna. E os materiais didáticos apresentam temas ambientais em sua composição, mas a maioria de forma simplificada e descontextualizada, o que contribui para os resultados alcançados nas atividades de mapeamento participativo. Como construção criativa e coletiva, a educação ambiental crítica urge-se diante da crise ambiental e, portanto, a atualização temporal e espacial das temáticas ambientais se torna, desde já, uma tarefa necessária.
78 Distribuição espacial dos centenários no Brasil: uma análise exploratória da qualidade dos dados dos censos de 2000 e 2010 , Cristiano S. dos Reis Cássio M. Turra
As últimas décadas testemunharam o rápido crescimento da população de centenários, pessoas com 100 anos e mais, em algumas regiões do mundo. O número estimado de centenários em países desenvolvidos duplicou a cada década a partir de 1950 (UN 2005). No Brasil, os centenários ainda compõem uma parcela muito pequena da população total. Em 2000, havia 24.576 centenários no país, ou 1,44 centenários por 10.000 pessoas, segundo dados do censo demográfico.  Já em 2010, houve uma redução no número de centenários recenseados, tanto em número absoluto quanto em proporção, passando para 24.236 centenários, ou 1,27 centenários por 10.000 pessoas (IBGE 2000; 2010), o que sugere a existência de problemas nos dados divulgados dos censos demográficos. Apesar do empenho do IBGE em aperfeiçoar os dados censitários ao longo das últimas décadas, ainda existem problemas relacionados à exatidão das informações. Dois tipos básicos de erros podem acontecer nos recenseamentos dos dados populacionais. O primeiro se refere à contagem da população associado à má cobertura do censo, seja por omissão ou por duplicidade de um indivíduo. O segundo erro decorre de falhas nas declarações de idade, em função da omissão da informação ou declaração errônea. Na busca por elementos que apontem para possíveis erros nos censos demográficos, o presente estudo apresenta uma análise exploratória da distribuição espacial dos centenários no Brasil por microrregião em 2000 e 2010. Ainda, busca-se avaliar a distribuição espacial da razão da população com 100 anos e mais e a população com 85 anos e mais no Brasil, comparativamente entre diferentes partes do Brasil e, também, com informações coletadas em países reconhecidos pela boa qualidade nos registros. Os resultados fornecem elementos sobre a qualidade dos dados dos Censos Demográficos para as pessoas com 100 anos e mais no Brasil para 2000 e 2010 e, em alguma medida, contribuem para o entendimento da distribuição espacial dos centenários no país.
79 Resenha: Moura, Ana Clara Mourão (Org.). Tecnologias de geoinformação para representar e planejar o território urbano. Interciência, 2016. , Paulo Eduardo Alves Borges da Silva
80 Revista Espinhaço entrevista Dickson D. Despommier (Columbia University) , Alyssa Fico Douglas Sathler
81 Editorial , Kourosh Behzadian
82 Determinação e avaliação de fatores associados com práticas de gerenciamento sustentável da terra por agricultores do estado de Osun, Nigéria , Solomon Adedapo Adesoji Adeola Lydia Adejumo
Este estudo identificou práticas de gestão ambiental utilizados por agricultores no estado de Osun, Nigéria, determinando os fatores associados com as melhores práticas utilizadas. A técnica de amostragem multi-estágio foi utilizada para selecionar 256 agricultores de oito Áreas Governamentais Locais (AGLs) do estado. Oito diferentes empresas agrícolas foram selecionadas nas AGLs e, também,  quatro agricultores formam selecionados de cada empresa. Os dados coletados foram descritos com base na frequência, média e desvio padrão, enquanto as análises de regressão e de fatores foram utilizadas para realizar inferências neste estudo. Os resultados revelaram que o grupo de agricultores era majoritariamente formado por homens (60%) que tinham, em média, 48.0±10.3 anos de idade. O tamanho médio dos domicílios era de 6.6±2.8 e a maior parte dos residentes não eram capazes de ler e escrever. O estudo identificou 35 práticas de gerenciamento sustentável da terra conhecidas pelos agricultores, sendo que 28 destas 35 práticas eram efetivamente utilizadas. Sete fatores associados com o uso sustentável da terra são: experiência, acesso à recursos econômicos, acesso à recursos educacionais, acesso à insumos, características pessoais, características familiares e status de fertilidade do solo. Os fatores estimados são estatisticamente significantes (p < 0,05), demostrando que os níveis de consciência e de uso de práticas de gerenciamento sustentável no estado estão abaixo dos padrões esperados.
83 O significado da proteção do milho nativo das sementes geneticamente modificadas: uma perspectiva das ONGs locais mexicanas , Juanamaria Vazquez
Durante as últimas décadas, existe uma discussão global em curso sobre o uso de organismos geneticamente modificados (OGM) e sua inserção em regiões geográficas onde há um vasto conjunto de variedades nativas como milho mexicano, arroz indiano, batata peruana, etc. Esta discussão se dá entre aqueles que defendem as tradições indígenas e seus conhecimentos agrícolas tradicionais (TK) e aqueles que defendem os produtos de engenharia genética (OGM), transformando a discussão em um confronto social entre grandes corporações e redes domésticas de ONGs. Ambos os lados são acompanhados por comunidades científicas líderes. Com base na perspectiva da Economia Política de K. Polanyi e suas categorias analíticas, este artigo examina o caso da controvérsia sobre OGMs mexicanos entre a agroindústria predominantemente americana e as ONGs mexicanas. O artigo mostra o desempenho das ONGs na tentativa de evitar a inserção de milho transgênico no México por meio de uma medida cautelar que proíbe a comercialização desses milhos transgênicos em todo o território.
84 Mainstreaming de Gênero em áreas sob estresse climático no Sudão: lacunas e caminhos , Omer Tyseer Elhadi
Este estudo investiga o nível de perspectiva de gênero no planejamento e na implementação de atividades dentro de organizações governamentais, não-governamentais e acadêmicas no Sudão. A integração da perspectiva de género deve ser entendida como um processo de avaliação das implicações para as mulheres e homens de qualquer ação planejada, incluindo políticas ou programas legislativos em todas as áreas e em todos os níveis. As organizações incluídas nesta pesquisa são entidades que envolvem principalmente a gestão de recursos naturais, atividades humanitárias e a academia. No contexto de mudanças climáticas, o estudo investiga informações sobre a gestão da agricultura e dos recursos naturais, incluindo a agricultura, as florestas, a gestão das zonas de produção, a produção pecuária não serem desagregadas por sexo. A metodologia utilizada neste estudo foi a amostragem intencional utilizando entrevistas semi-estruturadas para obter informações de organizações selecionadas na cidade de Khartoum, capital do Sudão. O estudo revelou que há falta de conhecimento sobre os conceitos de gênero em algumas das organizações estudadas. Demonstrou-se também que não existem regulamentações ou nenhum compromisso com regulamentos sobre políticas de gênero dentro das organizações estudadas. Políticas de gênero no domínio da agricultura e manejo de recursos naturais não são formuladas. O estudo concluiu que o estabelecimento de unidades de pesquisa de gênero dentro das instituições acadêmicas é necessário. Essas unidades podem ser plataformas para a obtenção e desenvolvimento de conhecimento sobre o papel do gênero nas adaptações às mudanças climáticas e, também, podem ser vinculadas aos processos de tomada de decisão dentro das instituições envolvidas nos recursos naturais e na agricultura. Foi sugerida uma política melhorada para a gestão dos recursos naturais e a agricultura para reduzir as tensões climáticas nos recursos naturais e na agricultura.
85 Hogares y energía eléctrica en México , Ana Escoto Castillo Landy Sánchez Peña Gabriela Pérez Guardián
En las últimas dos décadas, la producción de energía eléctrica ha generado más de la quinta parte de las emisiones de CO2 en México. En este mismo periodo, el consumo de electricidad en el país ha sido dinamizado por el sector residencial de los hogares. Diversos trabajos apuntan a que los incrementos en los niveles medios de bienestar y la expansión del crédito y vivienda, se tradujeron en cambios en los bienes y servicios que los hogares consumen, pese a la persistencia de la desigualdad. En particular, se señala que incluso los estratos con ingresos más bajos han aumentado sus niveles de consumo. Exploramos si esto ha sucedido y nos preguntamos por las implicaciones ambientales de este aumento. En este trabajo examinamos: (1) en qué medida se observa un cambio en los electrodomésticos que los hogares consumen, (2) hasta dónde éste se asocia con el consumo eléctrico de los hogares; y; (3) si los diversos estratos de ingresos han mantenido un consumo de electrodomésticos estable a lo largo del tiempo. Para ello, construimos una serie armonizada de la Encuesta de Ingreso Gasto de los Hogares (1992, 2002, 2008 y 2012) con características sociodemográficas, ingresos y un índice de bienes eléctricos consumidos por los hogares comparables a través del tiempo. Empleamos una regresión agrupada para observar los cambios en los efectos entre estratos y tiempo.
86 Características químicas, mineralógicas e físicas do material acumulado em terraços fluviais, originado do fluxo de lama proveniente do rompimento de barragem de rejeitos de mineração de ferro em Bento Rodrigues, Minas Gerais, Brasil , Alexandre Christofaro Silva Luis Carlos Duarte Cavalcante José Domingos Fabris Roberto Franco Júnior Uidemar Morais Barral Múcio Mágno de Melo Farnezi Abraão José Silva Viana José Domingos Ardisson Luis Eugenio Fernandez-Outon Luciano Roni Silva Lara Humberto Osório Stumpf João Batista Santos Barbosa Luiz Carlos da Silva
O rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração de itabirito na cabeceira da Bacia do Rio Doce (Minas Gerais e Espírito Santo, Brasil) provocou a maior catástrofe ambiental do Planeta Terra, relacionada a esta atividade. Os rejeitos foram depositados tanto no fundo como no terraço fluvial dos rios provocando o assoreamento e mudanças profundas na qualidade das águas e soterramento das principais áreas agrícolas desta bacia. Para que elas retornem aos níveis anteriores ao desastre é imprescindível que o material depositado nos terraços fluviais seja minuciosamente caracterizado. O objetivo deste trabalho foi caracterizar química, física e mineralogicamente o material proveniente do rompimento da barragem do Fundão, depositado no terraço fluvial do Rio do Carmo, afluente do Rio Doce. O material foi coletado na profundidade de 0 a 30 cm de uma camada de rejeito de cerca de 3 metros de espessura, depositado no terraço fluvial da margem direita do Rio do Carmo, na área urbana de Barra Longa, em Minas Gerais. Foram realizadas análises físicas (granulometria, densidade do solo e de partículas e porosidade), químicas (pH; complexo sortivo; matéria orgânica; Fe, Mn, Cu, Zn, Pb, Cd e Ni trocáveis; óxidos totais) e mineralógicas (difratometria de raios X e espectrometria Mössbauer). O rejeito apresenta elevados teores de areia e de silte e baixo teor de argila. Suas densidades do solo e de partículas são elevadas e a porosidade é baixa. O pH é alcalino, os teores de matéria orgânica, de nutrientes de plantas e a CTC são muito baixos. Os teores dos metais pesados Zn, Cd, Cu, Pb e Ni trocáveis são muito baixos e os teores de Mn trocável do rejeito é elevado. Os óxidos totais predominantes do rejeito são o SiO2 e o Fe2O3. Os minerais mais abundantes do rejeito são o quartzo e a hematita. Os atributos físicos, químicos e mineralógicos do rejeito da mineração restringem o restabelecimento da vegetação nativa ou o uso agrícola dos terraços fluviais nos quais foi depositado.
87 Revista Espinhaço interviews Bette Otto Bliesner (NCAR Boulder) , Kourosh Behzadian Douglas Sathler Lorena Fleury
88 ,
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95 Editorial Revista Espinhaço , Douglas Sathler
Nesta décima edição, a Revista Espinhaço apresenta seis artigos inéditos, uma resenha e uma entrevista exclusiva.
96 Estágio supervisionado de geografia: a subjetivação da identidade docente em ambiente virtual de aprendizagem , Cláudio Marinho Rafael Straforini Tânia Seneme do Canto
Este estudo aborda uma experiência de desenvolvimento do projeto de Estágio Supervisionado no curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Estadual Paulista (Unicamp). A pesquisa avalia as estratégias utilizadas no processo de subjetivação da identidade docente na utilização de material didático em diversas mídias, na realização de atividades, na escrita de narrativas e no uso de ferramentas colaborativas em um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). O trabalho tem uma abordagem metodológica etnográfica e netnográfica, caracterizada pela participação dos autores no ambiente físico e virtual do projeto por um período de dois semestres e estruturada com base na coleta de dados diretamente no ambiente virtual. Os resultados indicam que a proposta de estágio aliada a utilização de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) se constituiu numa oportunidade de reflexão sobre a identidade docente, visto que a proposta pedagógica buscou articular de maneira mais profícua os saberes acadêmicos aos saberes produzidos na escola a partir do uso de novas estratégias pedagógicas no ciberespaço.
97 Criação de municípios no Brasil: motivações, vantagens e desvantagens , Marcos Antônio Nunes
O municipalismo brasileiro presenciou momentos de relativa autonomia e restrições políticas impostas pela sua história constitucional. A Constituição Federal de 1988, ao conceder maior autonomia às unidades federativas sobre a temática das emancipações, contribuiu para que ocorresse no país um novo surto emancipacionista. Assim, no decorrer da década de 1990, foram criados 1.070, em sua grande maioria sem condições financeiras para se sustentarem. Este trabalho objetiva, portanto, trazer à discussão as emancipações ao longo da história constitucional brasileira, e analisar as motivações, vantagens e desvantagens da criação de novos municípios no Brasil após a Constituição Federal de 1988. Os resultados mostraram que as emancipações não foram ponto pacífico entre diferentes segmentos sociais. Foram identificados vários motivos, principalmente políticos, econômicos e demográficos. Estes podem ser resumidos pelo descaso da administração do município de origem, pela existência de uma atividade econômica na localidade, pela grande extensão territorial do município de origem, e pelo crescimento da população local. A qualidade dessas emancipações pode ser mensurada através de indicadores socioeconômicos e demográficos. Em geral, houve melhoria das condições sociais dos habitantes das localidades emancipadas. Por outro lado, os contrários às emancipações afirmam que o processo permitiu a proliferação dos pequenos municípios, que nem sempre são os de população mais pobre, e são os que gastam mais por habitante com o Legislativo municipal, fazendo recair o ônus sobre os municípios proporcionalmente maiores.
98 Desenvolvimento de sistema de nano irrigação como diafragma de argila para redução de perda de água na produção vegetal em países de baixa renda , Oladipo Isaac Olaposi Akinruli Ifedayo Joshua Adebayo Yusuf
Os recursos hídricos serão mais afetados pelas mudanças climáticas. Tendo em vista que a agricultura nos países pobres depende enormemente do volume de precipitação, os efeitos das mudanças climáticas serão particularmente maiores nestes países. Todo esforço para melhorar a eficiência do uso da água é valido. Este trabalho apresenta um relatório do desenvolvimento do sistema de nano-irrigação usando argila moldada. O material de argila foi extraído localmente de um depósito próximo à comunidade de Isan-Ekiti, Nigéria. Quantidades variadas de serragem foi misturada à argila antes do molde. Como resultado, encontramos sete diferentes formas de tratar a argila de acordo com as razões de serragem: 100:0, 90:10, 80:20, 70:30, 60:40, 50:50 e 40:60. As amostras foram submetidas a sundagem e mais tarde foram disparadas no forno a 700 o C. Este processo ajudou a reforçar os moldes e eliminar os burnouts de serragem. A partir do teste de descarga de água realizado através da conexão do emissor à extremidade de descarga de uma mangueira de água, o tratamento de 80:20 apresentou alta de 8,6 x 10-6 l / s (aproximadamente 1 litro / dia). As descargas correspondentes de 70:30, 60:40, 50:50 e 40:60 foram 4,3 x 10-5 l / s (2 litros / dia), 1,6 x 10-5 l / s (aproximadamente 4 litros / dia), 1,4 x 10-5 l / s (aproximadamente 5 litros / dia) e 1,2 x 10-5 l / s (aproximadamente 7 litros / dia). Em comparação com a fabricação comercial de drippers pela Netafim Ltd, a descarga foi muito mais eficiente na redução da perda de água de irrigação. A amostra de 70:30 foi considerada mais adequada para satisfazer a descarga de quantidade de água equivalente ao requisito de água dos vegetais de abóbora e okra. Isso foi confirmado no experimento de campo realizado com estas culturas. Na plataforma de utilização de materiais, o emissor desenvolvido apresentou um custo-efetivo 100 vezes melhor do que o pote de cozinha, e o retorno econômico para a mulher rural supera em muito o de outros produtos de cerâmica.
99 As chancelas da Unesco como alternativas de gestão para os patrimônios culturais e naturais da Serra do Espinhaço, Minas Gerais, Brasil , Solano de Souza Braga Bernardo Machado Gontijo Úrsula Ruchkys de Azevedo Guilherme Augusto Pereira Malta Marina Furtado Gonçalves
Este artigo é resultado de uma reflexão sobre as possíveis formas de relacionar a gestão territorial em três dos municípios mineiros que receberam a chancela de Patrimônio Cultural da Humanidade pela United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO): Ouro Preto (título concedido em 1980), Congonhas, (título concedido em 1985) e Diamantina (título concedido em 1999). No contexto espacial da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço (RBSE), Ouro Preto e Congonhas estão também incluídos na proposta de criação do Geopark Quadrilátero Ferrífero, chancela concedida pelo mesmo organismo internacional. A partir do levantamento acerca dos mecanismos gestores da região da RBSE, propõe-se um sistema colaborativo entre os sítios culturais e naturais, no intuito de que esta gestão possa ser realizada de maneira mais integrada e eficiente, com o objetivo de dar mais visibilidade ao patrimônio histórico-cultural visando à conservação e o desenvolvimento da região.
100 O que está errado e o que está certo com o ensino de Geografia nos EUA? , Michael J. Passow
A educação geográfica nos Estados Unidos geralmente recebe menos atenção do que outros tópicos. Pesquisas têm demonstrado que estudantes não possuem a proficiência adequada em Geografia. O nível de letramento geográfico da população em geral possui implicações significativas para a competitividade e para as decisões a níveis nacionais e internacionais. Este trabalho avalia os fatores que levam às deficiências no ensino de geografia nos Estados Unidos, incluindo a falta de ênfase dada à disciplina em comparação com outros tópicos, o treinamento de professores, o design dos currículos e as altas taxas de mobilidade estudantil. O texto também avaliar tendências positivas, incluindo o desenvolvimento de padrões mais rigorosos para o aprendizado de habilidades da geografia, o suporte de organização e de agências estatais que estimulam o interesse e a participação dos estudantes em avaliações e concursos. O trabalho examina os recursos seletivos para o ensino e aprendizado de habilidades e conceitos de geografia, geralmente disponíveis online por agências federais e não-governamentais. Finalmente, o texto considera o potencial de aprendizado geográfico através de ambientes não formais, a exemplo de museus e da mídia de massa.
101 Zoneamento agroclimático de cultivos com potencial energético no estado de Minas Gerais , Luciano S. dos Reis Ruibran Januário dos Reis Daniel Pereira Guimarães Cláudio Homero Ferreira da Silva
O desenvolvimento e a adoção de tecnologias altamente eficientes, visando maximizar a exploração de fontes renováveis de energia limpa, são cruciais para a redução dos impactos ambientais e da quantidade de resíduos secundários. O aumento da eficiência nos processos assegura a sustentabilidade do suprimento de energia, tendo por base os níveis atuais e futuros das demandas econômicas e sociais. O presente estudo realiza uma análise exploratória a partir do zoneamento agroclimático das principais culturas agrícolas do estado de Minas Gerais, apresentando, sob a forma de mapas, os resultados encontrados por tipo de biomassa. O zoneamento agroclimático das culturas potenciais para a produção de energia em Minas Gerais é resultante da interação entre as variáveis climatológicas e os parâmetros específicos das culturas. Tendo em vista a diversidade física, ambiental e socioeconômica de Minas Gerais, a realização do zoneamento agroclimático para a identificação das zonas com maior aptidão para a produção de biomassa revelou-se fundamental para subsidiar as políticas de produção energética no estado.
102 Resenha: Temas da Geografia na Escola Básica. Cavalcanti, Lana de Souza (Org.). Papirus, 2016. , Mariana Augusta Brant
Resenha: Temas da Geografia na Escola Básica. Cavalcanti, Lana de Souza (Org.). Papirus, 2016.
103 Revista Espinhaço entrevista: Silvia Elena Giorguli Saucedo (El Colegio de México) , Gisela Zapata Douglas Sathler
A Revista Espinhaço apresenta uma entrevista exclusiva com a presidenta do Colegio de México, Silvia Elena Giorguli Saucedo. A entrevista foi realizada em janeiro de 2017, e conduzida por Gisela Zapata (Cedeplar-UFMG) e Douglas Sathler (UFVJM) nas dependências do Colegio de México, na Cidade do México. Silvia Elena Giorguli Saucedo fala sobre os desafios à frente da presidência do Colegio de México, do financiamento à ciência no México e do tema migrações, tanto no contexto México-Estados Unidos quanto no contexto Latino Americano.
104 Revista Espinhaço entrevista: Silvia Elena Giorguli Saucedo (El Colegio de México) , Gisela Zapata Douglas Sathler
La Revista Espinhaço presenta una entrevista exclusiva con la presidenta del Colegio de México, Silvia Elena Giorguli Saucedo. La entrevista fue realizada en enero de 2017, y conducida por Gisela P. Zapata (Cedeplar-UFMG) y Douglas Sathler (UFVJM) en las dependencias del Colegio de México, en la Ciudad de México. Silvia Elena Giorguli Saucedo habla sobre los desafíos al frente de la presidencia del Colegio de México, del financiamiento a la ciencia en México y de las migraciones internacionales, tanto en el contexto México-Estados Unidos como en el contexto Latinoamericano.
105 Editorial Revista Espinhaço , Douglas Sathler
106 Planejamento, desenvolvimento territorial e as diretrizes para o desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha , Alexandre Queiroz Guimarães
O presente artigo reflete sobre as estratégias e ações prioritárias para o desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha.  Usa como base o Plano de Desenvolvimento para o Vale do Jequitinhonha (PDVJ), elaborado pela Fundação João Pinheiro. A região em questão ficou durante muito tempo isolada, incapaz de se inserir nos setores mais dinâmicos da economia. A principal política que estimulou seu desenvolvimento foram os programas recentes de transferência de renda, que reduziram a miséria e abriram a possibilidades de ações estruturantes voltadas a transformações mais sustentáveis. A partir de incursões conceituais sobre o significado do desenvolvimento e sobre as especificidades atuais do planejamento, o artigo defende que o desenvolvimento deve ser alcançado simultaneamente em várias dimensões. Uma primeira direção deve ser a revitalização dos recursos hídricos e o fortalecimento da infraestrutura de transportes, energia, telecomunicações e saneamento. Uma segunda passa pelo fortalecimento da economia, que inclui políticas de comercialização, assistência técnica e extensão rural, regularização fundiária, licenciamento ambiental e estímulo à agroindústria familiar. Inclui também o estímulo a alguns nichos da indústria, à mineração e ao turismo, sempre em sintonia com o meio ambiente. Enfim, o artigo mostra as principais direções a acompanhar o avanço na área social, incluindo saúde, educação, cultura, assistência social e segurança pública. Todas essas direções precisam ser acompanhadas por avanços na gestão municipal e por uma estrutura de governança ancorada em práticas de desenvolvimento territorial.
107   Paisagem garimpeira no planalto de Diamantina, Minas Gerais Paisagem garimpeira no planalto de Diamantina, Minas Gerais , Mariana de Oliveira Lacerda Allaoua Saadi
A consciência da paisagem estimula uma atitude cognitiva diante dos signos do mundo. Esta atitude orientou o estudo da área remanescente do antigo Distrito Diamantino, em Minas Gerais, Brasil. Os três séculos de atividade minerária deixaram vestígios profundos no belo e diverso ambiente da serra do Espinhaço. Este artigo visa propor um debate crítico sobre a dimensão patrimonial da paisagem garimpeira. A metodologia se apoiou nas noções de paisagem visível e paisagem vivida para fazer emergir as tensões do território e para construir uma narrativa sobre a paisagem. A leitura mobilizou fontes textuais, cartográficas e imersões de campo. Os resultados constatam o desconhecimento sobre populações tradicionais e impõem a reflexão sobre políticas inclusivas de desenvolvimento social e sobre uma concepção de turismo capaz de se integrar a este propósito, o que requer a estruturação de um sistema de conhecimento e de identificação desta paisagem.
108 Análise geoestatística da segregação socioespacial em Divinópolis, Minas Gerais: o Programa Minha Casa Minha Vida em perspectiva , Júlio César Tavares de Paiva Silva Mauro César Cardoso Cruz Marlon Fernandes de Souza
O Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) apresentou grande impacto na construção de habitações de interesse social no Brasil, assumindo um protagonismo decisivo para a dinâmica do mercado imobiliário nacional. O presente estudo objetiva avaliar espacialmente a dinâmica socioeconômica da cidade de Divinópolis/MG no âmbito do PMCMV, com base na aplicação de técnicas de geoestatística e de análise espacial. Pretende-se compreender melhor as repercussões de projetos do Programa licenciados entre 2008 e 2016 na dinâmica urbana local. Em Divinópolis, percebe-se que a distribuição socioespacial se caracteriza por grupos de renda mais baixas localizados nas áreas periféricas e grupos de maior rendimento localizados em áreas centrais e integradas. Em relação aos empreendimentos do PMCMV, a grande maioria está instalado nas áreas caracterizadas pelos primeiros grupos supracitados, intensificando a segregação socioespacial na cidade.
109 Relações entre qualidade da água e uso e cobertura do solo em múltiplas escalas espaciais na bacia do Rio Pandeiros, Minas Gerais , João Pedro dos Santos Isabela Martins Marcos Callisto Diego Rodrigues Macedo
Ecossistemas aquáticos continentais sofrem influência direta de pressões antrópicas que podem ser quantificadas através do mapeamento do uso e cobertura do solo. O objetivo deste estudo foi avaliar a relação entre o uso e cobertura do solo e a qualidade de água em uma bacia hidrográfica legalmente protegida: a bacia do rio Pandeiros, Minas Gerais. O levantamento de qualidade de água foi realizado em 40 sítios de amostragem balanceada e aleatoriamente distribuídos. Através de imagens de satélite foi avaliado o uso e cobertura do solo em três escalas espaciais: sub-bacia, ripário e local. Os resultados mostraram que a bacia possui em média de 85%-95% de cobertura vegetal íntegra em todas as escalas espaciais avaliadas, e que os parâmetros de qualidade de água estão dentro dos limites de classe 1, segundo a resolução Conama 357/2005. A correlação entre as classes de uso e cobertura do solo e variáveis de qualidade de água foram baixas em todas as escalas avaliadas, e acredita-se que isto deva-se à baixa variabilidade nas porcentagens das classes de uso e cobertura do solo na bacia.
110 Cultura migratória no município de Governador Valadares: uma análise da rede de significados e seus impactos nos fluxos migratórios internacionais , Leonardo Sousa Dimitri Fazito
Na década de 2000, Brasil e Estados Unidos passaram por grandes choques econômicos e estruturais (positivos e negativos). Contudo, os fluxos de migração historicamente marcados do município brasileiro de Governador Valadares para os Estados Unidos permaneceram inalterados. Os fatores que explicam tal estabilidade deste sistema migratório são principalmente o papel das redes sociais e da chamada ‘Cultura da Migratória’. Este estudo foca neste segundo fator, propondo um modelo analítico cognitivo sobre a cultura da migração e, mais especificamente, a análise das representações sociais que se associam aos comportamentos migratórios a partir da análise da rede de significados. Para tanto, utilizou-se de dados de 1226 entrevistados e suas evocações sobre o objeto migração internacional para a construção das redes. A rede de significados geral apresentou uma intermediação principalmente regida pelos objetos Vida Melhor, Dinheiro, Trabalho e Oportunidade. A análise dos possíveis diferenciais de gênero, grupos etários e experiência migratória domiciliar sobre a migração internacional apontou que, embora apareçam distinções já observadas em outros trabalhos, tais não foram significativas a ponto de serem classificadas como subconjuntos culturais dentro deste fenômeno cultural. Isso sugere que a cultura migratória esteja disseminada de forma a que todos os grupos percebam a migração internacional de forma muito parecida.
111 O sítio arqueológico Sampaio, Alto Vale do Araçuaí, Felício dos Santos, Minas Gerais: paisagem, cronologia, e repertório cultural para compreensão das ocupações humanas antigas no Espinhaço Meridional     , Marcelo Fagundes Hernando Baggio Filho Alexandre Christófaro Silva Wellington Santos Greco Marcelo Aroeira D’Ávila Landerson Gomes Galvão
O presente artigo tem como objetivo apresentar as análises integradas e interdisciplinares que foram realizadas no sítio Sampaio, município de Felício dos Santos, Minas Gerais. Trata-se de um abrigo sob rocha implantado em média vertente na bacia do Rio Araçuaí, nordeste do estado, em meio ao bioma do Cerrado. Escavado pela equipe do Laboratório de Arqueologia e Estudo da Paisagem (LAEP/UFVJM), nele foi exumado um importante conjunto artefatual lítico, além da identificação de várias estruturas de combustão, sendo que a estrutura 03 obteve cronologia de 4280 ± 30 anos A.P., data de suma importância para as discussões acerca das ocupações humanas no Planalto Central Brasileiro. Além disso, o sítio apresenta um conjunto rupestre significativo, com temática geralmente associada à tradição Planalto de Arte Rupestre. Assim, o texto irá discutir os resultados das análises do sítio arqueológico (das prospecções, escavação e atividades laboratoriais), apresentando dados geoambientais regionais, as análises de seu repertório cultural e cronologia.
112 Resenha: Ferrovia, sociedade e cultura, 1850-1930. Lima, Pablo Luiz de Oliveira. Fino Traço, 2015. , Alfredo Costa
Resenha: Ferrovia, sociedade e cultura, 1850-1930. Lima, Pablo Luiz de Oliveira. Fino Traço, 2015.
113 Revista Espinhaço entrevista: Roberto Nascimento (Fundação João Pinheiro) , Douglas Sathler
A Revista Espinhaço apresenta uma entrevista exclusiva com o presidente da Fundação João Pinheiro, Roberto Nascimento. A entrevista foi realizada em dezembro de 2017, e conduzida por Douglas Sathler (UFVJM) nas dependências da Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte, Minas Gerais. Roberto Nascimento fala sobre os desafios à frente da Fundação João Pinheiro, da sua história acadêmica e de suas experiências administrativas.
114 Editorial Revista Espinhaço , Douglas Sathler
Editorial Revista Espinhaço.   Perenidade. Este é o grande desafio da Revista Espinhaço, após 6 anos de existência. A jovem revista, editada por jovens professores, vinculados à uma jovem universidade, pulsa rumo a longevidade. A importância estratégica da Revista Espinhaço para a divulgação científica de estudos interdisciplinares sobre sociedade e ambiente nos/dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri é evidente. Trata-se de uma contribuição relevante para o desenvolvimento já vigoroso da geografia e geologia da região, com alcance nacional e internacional dos estudos, resenhas e entrevistas publicadas. A Espinhaço tem sido um importante ponto de convergência de estudos e saberes na UFVJM, inspirando o surgimento de novas revistas na instituição e de novos projetos para ampliar o livre acesso à ciência.   Neste 12º número, a Revista Espinhaço traz seis artigos inéditos, uma resenha e uma entrevista imperdível. O primeiro artigo, intitulado “Principais fatores condicionantes da formação e implicações para uso de Cambissolos em São Desidério, Oeste da Bahia”, escrito por Arianne Barbosa, Gisele dos Santos, Edimar Dias, Ervson Siqueira, Juliano da Silva e Vitória Barbosa, traz uma análise crítica interessante sobre a utilização de solos acidentados e utilizados majoritariamente por pequenos agricultores. Estes solos, denominados de Cambissolos, não são tão conhecidos como os solos mais propícios para a grande agricultura, o que torna este estudo especialmente importante.   O segundo texto inédito, denominado “Serviços ecossitêmicos na bacia hidrográfica de um reservatório hidrelétrico em cenário de extrema escassez hídrica”, desenvolvido por Carolina Silveira, Diego Macedo e Marcos Callisto, traz uma avaliação dos serviços ecossistêmicos de regulação de processos erosivos advindos da conservação da zona ripária. Os autores oferecem uma discussão demonstrando que serviços são essenciais para a conservação de cursos d´água nas bacias hidrográficas, sobretudo em tempos de forte estiagem.   O terceiro artigo também aborda o tema “recursos hídricos”, trazendo uma análise dos impactos do rompimento da barragem de Mariana na qualidade da água do Rio Doce, destacando as repercussões deste desastre para a saúde humana. O texto é assinado por Carlos Alberto Dias, Alexandre da Costa, Gilvan Guedes, Glauco Umbelino, Leonardo de Sousa, Janete Alves e Thamires Silva.   O quinto texto inédito, denominado “Demografia Ecológica: população e desenvolvimento numa perspectiva ecocêntrica”, escrito por José Eustáquio Diniz Alves, defende a necessidade de articular a dinâmica demográfica às questões ecológicas. O autor busca uma perspectiva ecocêntrica para explorar a relação entre mudanças demográficas e alterações ambientais no planeta.   O sexto e último artigo, intitulado “Evolução geológica dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri: uma revisão” traz uma importante contribuição para disseminação do conhecimento da rica geologia desta parte de Minas Gerais. A sistematização de estudos apresentada pelo autor neste texto possui, sem sombra de dúvidas, grande valor científico e didático.   Ainda, este número da Revista Espinhaço apresenta uma resenha instigante, escrita por Antônio M. Claret de Souza Filho. A resenha versa sobre o livro “Unpleasant Design”, escrito por Gordan Savicic e Selena Savic, publicado pela editora G.L.O.R.I.A em 2016. A resenha oferece uma síntese sobre as questões mais relevantes do livro, demonstrando como o “design desagradável” é utilizado em várias cidades do mundo como uma forma de controle social.   Ao final, a Revista Espinhaço apresenta uma entrevista realizada com o Prof. Alexandre Christófaro Silva, sobre a dinâmica ambiental das turfeiras no Alto Jequitinhonha. Esta entrevista é parte dos esforços para preservação das turfeiras, tendo em vista sua importância para grandes bacias hidrográficas do país, com destaque para a bacia do Rio Jequitinhonha. Em 2018, o Prof. Alexandre participou do programa Globo Repórter, editado pela Rede Globo de televisão, demonstrando de maneira sintética parte do conhecimento compartilhado na entrevista apresentada neste número.  Está em andamento a criação de um projeto e Lei Estadual para a proteção das turfeiras, a exemplo da lei que protege as veredas do cerrado. Diante disso, consideramos fundamental a disseminação do conhecimento científico sobre este ambiente de transição, extremamente rico e relevante do ponto de vista ambiental.   Desejo a todos uma boa leitura!! 
115 Principais fatores condicionantes da formação e implicações para uso de Cambissolos em São Desidério, Oeste da Bahia , Arianne de Souza Barbosa Gisele Barbosa dos Santos Edimar Souza Dias Ervson da Silva Siqueira Juliano Ramos da Silva Vitória Dourado Barbosa
Os cambissolos da região Oeste da Bahia são menos estudados do ponto de vista de sua gênese e manejo. Esta porção do estado da Bahia possui em sua maior extensão latossolos, que são mais estudados e conhecidos do que os cambisolos da região, tendo em vista tipo de agricultura aplicada nestes dois tipos de solos. É praticada, de forma geral, a agricultura familiar em áreas de cambissolos e o agronegócio associado aos latossolos. Assim, foi objetivo deste estudo caracterizar alguns atributos morfológicos, químicos e físicos em um perfil de cambissolo no município de São Desidério, a fim de fornecer subsídios para melhor entender a influência do relevo em sua gênese, além de informações sobre seu aproveitamento. Para tanto, baseado em mapeamentos regionais prévios, foi escolhido um perfil de solo para descrição morfológica, tendo sido suas amostras coletadas e analisadas em laboratório onde foram realizadas análise textural, densidade de partículas, teor de matéria orgânica e pH. Os fendilhamentos evidentes nos horizontes superficial e intermediário demonstram a importância da textura argilosa combinada à sazonalidade local, esta última responsável pela contração das argilas no período de estiagem. Tais características indicam alta fertilidade para este solo. No entanto, a presença de fendilhamentos pode influenciar negativamente a prática agrícola, além de potencializar processos erosivos sob chuvas torrentes.
116 Serviços ecossistêmicos na bacia hidrográfica de um reservatório hidrelétrico em cenário de extrema escassez hídrica , Carolina Rezende Savino Silveira Diego Rodrigues Macedo Marcos Callisto
Neste estudo foram avaliados serviços ecossistêmicos de regulação de processos erosivos, prestados pela manutenção da zona ripária para a conservação de cursos d'água na bacia hidrográfica de um empreendimento hidrelétrico. O objetivo deste estudo foi identificar as variáveis que contribuem para os serviços ecossistêmicos de controle de erosão e sedimentação na bacia hidrográfica do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) de Nova Ponte, bacia do rio Araguari, MG. Foram analisados os tipos de uso e cobertura do solo, além de métricas de habitats físicos, em um ano de pluviosidade média regular e em um ano de escassez de chuvas. Dentre as variáveis analisadas, as relacionadas à presença de vegetação ripária e velocidade de fluxo foram as mais importantes relacionadas ao serviço ecossistêmico de controle de erosão e sedimentação nos dois períodos amostrais (2009 e 2013). Os resultados obtidos corroboram a importância da conservação da zona ripária de riachos para manutenção do serviço ecossistêmico de controle de erosão e sedimentação, além de contribuírem para manutenção do ciclo da água e recarga de aquíferos e consequente manutenção dos níveis de água em reservatórios hidrelétricos.
117 Impactos do rompimento da barragem de Mariana na qualidade da água do rio Doce , Carlos Alberto Dias Alexandre Silvio Vieira da Costa Gilvan Ramalho Guedes Glauco Jose de Matos Umbelino Leonardo Gomes de Sousa Janete Higino Alves Thamires Gabriele Macedo Silva
O rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em 05/11/2015, lançou no ambiente trinta e cinco milhões de m³ de rejeitos de mineração de ferro, afetando a qualidade da água devido ao volume de sólidos em suspensão. Considerando a importância do cuidado à saúde, este artigo utiliza séries temporais sobre concentrações de metais tóxicos nas águas do Rio Doce nos períodos anterior e posterior ao acidente, identificando as concentrações de metais em função do distanciamento temporal da ocorrência do desastre. Embora tenham sido identificados períodos de maior e menor toxicidade, os resultados apontam para um rápido retorno aos parâmetros de metais dissolvidos na água anteriores ao desastre, os quais já se encontravam acima dos limites legais estabelecidos. Devido aos possíveis agravos à saúde e à necessidade de se garantir a dessedentação sem risco, o monitoramento das concentrações destes metais deve continuar objeto de atenção no processo convencional de tratamento de água.
118 Demografia Ecológica: população e desenvolvimento numa perspectiva ecocêntrica , José Eustáquio Diniz Alves
O crescimento populacional e econômico tem enorme impacto sobre o meio ambiente. Desde o início do Holoceno, há cerca de 12 mil anos, a humanidade passou de algo em torno de 5 milhões de habitantes para a casa dos milhares de milhões, podendo chegar a mais de 11 bilhões de pessoas em 2100. Foi e tem sido um crescimento demográfico espetacular. Mas o crescimento das atividades econômicas foi muitas vezes maior. O crescimento econômico global se acelerou com o início da modernidade e a expansão europeia, especialmente após as Grandes Navegações e o processo de colonização e exploração dos recursos naturais das Américas. Porém, este crescimento tornou-se exponencial depois da Revolução Industrial e Energética que teve início no final do século XVIII. No período conhecido como modernidade clássica, houve grande progresso humano, mas, concomitantemente, retrocesso ambiental. Esta oposição entre os avanços materiais da humanidade e o recuo material e energético dos ecossistemas se mantém e se aprofunda na modernidade tardia (ou pós-modernidade), possibilitando, inclusive, o surgimento de uma nova era geológica. Para analisar a realidade ecológica da pós-modernidade, surgiu a sociologia ambiental de cunho ecocêntrico. No campo da demografia, as análises teóricas e empíricas que buscam relacionar a dinâmica populacional em conjunto com a dinâmica ecológica ainda são uma promessa. O objetivo deste artigo é discutir a relação entre população e desenvolvimento no Antropoceno e os desafios colocados por uma demografia com perspectiva ecocêntrica.
119 Geogame: uma alternativa lúdica para o ensino de geociências , Juliana Alves Torres Gomes Evelyn A. M. Sanchez
O ensino de Geociências enfrenta grandes desafios, como a falta de uma disciplina específica e recursos didáticos. Para tentar contorná-los é necessário buscar medidas alternativas dentro da realidade do ensino atual. Recursos didáticos podem ser aliados nesta tarefa. O uso de jogos é um recurso didático amplamente disseminado entre todas as disciplinas, podendo trazer contribuições importantes para o ensino de Geociências. O jogo, quando bem utilizado, pode contribuir muito para a aprendizagem, porque ele desafia e provoca o aluno, o que gera maior interesse e prazer.  O presente trabalho oferece uma discussão sobre o uso de jogos no ensino de geociências, destacando o Geogame. Este jogo objetiva ensinar Geociências e divulgar o Patrimônio Geológico para os estudantes, principalmente do Ensino Fundamental. Ao fim do jogo, os estudantes-jogadores estarão aptos a reconhecer e entender sobre o Patrimônio Geológico do entorno de Diamantina, ampliando o conhecimento sobre Geociências.
120 Evolução geológica dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri: uma revisão , Matheus Kuchenbecker
Localizada nos estados de Minas Gerais e Bahia, a área dos vales do Jequitinhonha e Mucuri possui uma longa e complexa evolução geológica. Encontram-se registrados nas rochas da região indícios de pelo menos dois grandes eventos orogenéticos, além de diversos eventos magmáticos e sucessivos ciclos bacinais. Este trabalho apresenta, de maneira objetiva, as principais unidades geológicas que afloram nos vales do Jequitinhonha e Mucuri e sua distribuição no tempo e no espaço, contextualizando-as em relação aos principais eventos tectônicos conhecidos.
121 Resenha: Unpleasant Design. Savicic, Gordan e Selena Savic (Ed.); Korac, Nikola (Ilustrador). G.L.O.R.I.A, 2016. , Antônio Maria Claret de Souza Filho
Resenha: Unpleasant Design. Savicic, Gordan e Selena Savic (Ed.); Korac, Nikola (Ilustrador).  G.L.O.R.I.A, 2016. 
122 Revista Espinhaço entrevista: Alexandre Christofaro Silva (UFVJM) , Douglas Sathler
A Revista Espinhaço apresenta uma entrevista exclusiva com o Prof. Alexandre Christófaro Silva. A entrevista foi realizada em Junho de 2018, e conduzida por Douglas Sathler (UFVJM) nas dependências da UFVJM, Diamantina, Minas Gerais. Alexandre Christofaro é um dos especialistas mais reconhecidos no campo dos estudos sobre as turfeiras. Nesta entrevista, o professor explica o que são as turfeiras, e fala sobre a importância da proteção desses ecossistemas no Espinhaço
123 Editorial Revista Espinhaço , Douglas Sathler
A Revista Espinhaço, nos seus 6,5 anos de existência, tem sido um disseminador fundamental de ciência de excelência no Brasil. Não se trata de uma revista restrita às investigações sobre os Vales dos Jequitinhonha e do Mucuri, que abrigam a UFVJM, ou sobre o Espinhaço. No entanto, é inegável que parte significativa dos estudos publicados na revista tratam diretamente de temas relacionados a estas áreas, caracterizadas por grande riqueza ambiental, desigualdade econômica e diversidade sociocultural. Diante disso, fica claro um dos valores fundamentais da Revista Espinhaço: a responsabilidade social com os Vales. Ao mesmo tempo, não se pode perder de vista que a revista sempre esteve aberta às mais diversas análises, realizadas nas mais diversas áreas de estudo, do Brasil e de outras partes do Mundo. Nesse espírito, o caráter pluralista da Revista Espinhaço, que vem abrigando textos que dialogam com várias vertentes do conhecimento científico, oferece um rico horizonte de diálogos acadêmicos.
124 Percepções sobre conflitos socioambientais de comunidades do entorno do Parque Estadual do Biribiri, Diamantina, Minas Gerais , Marcelino Santos de Morais Bernardo Machado Gontijo Danielle Piuzana Mucida
Esta pesquisa tem como foco populações localizadas em zona de amortecimento do Parque Estadual do Biribiri, município de Diamantina, Alto Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Busca-se entender o processo de criação da Unidade de Conservação, tendo em vista os atores sociais envolvidos e as modificações trazidas à população do entorno. Para tanto foram analisados o Plano de Manejo e a legislação ambiental vigente, além de informações coletadas em entrevistas semi-estruturadas, de modo a investigar a possibilidade de conflitos socioambientais entre estas populações e a área protegida. A análise do contexto socioespacial pós implementação da unidade de conservação permite concluir que há um grande distanciamento entre comunidades e parque, em decorrência de restrições ao uso de recursos naturais e ao território.
125 Polinizadores e visitantes florais da Cadeia do Espinhaço: o estado da arte , Steffani Najara De Pinho Queiroz Marco Aurélio da Cunha Moreira Pacheco Luís Paulo Sant’ana Camila Cristina da Cruz Cristhian Nathan Silva Oliveira Yrllan Ribeiro Sincurá Amanda de Oliveira Baracho Julya Pires Souza André Rodrigo Rech
Os estudos de biologia da polinização são fundamentais para entender a evolução e a manutenção da biodiversidade, devido as suas implicações na reprodução das angiospermas, na manutenção das comunidades de polinizadores e na produção de alimentos. A “Cadeia Montanhosa do Espinhaço”, que se estende do centro/sul de Minas Gerais ao centro/norte da Bahia - Brasil, é uma região com importância reconhecida devido aos seus elevados níveis de endemismo da fauna e flora. Apesar disso, a Cadeia do Espinhaço sofre diversas pressões antrópicas que colocam em risco sua biodiversidade, as interações ecológicas e, consequentemente, os serviços ecossistêmicos, como a polinização. Visando quantificar o estado atual do conhecimento acerca das interações planta-polinizador nos campos rupestres da região da Cadeia do Espinhaço, foi feita uma pesquisa de cunho bibliográfico, levantando os estudos de visitação floral e polinização desenvolvidos ao longo dessa cadeia de montanhas. Foram encontrados 52 trabalhos, desenvolvidos entre os anos 1975 e 2016, dos quais 27 estudos foram realizados na porção Meridional da Cadeia do Espinhaço, 27 na porção Setentrional e três nos quais não foi possível determinar a localização. Os dados estão polarizados ao sul e ao norte da Cadeia do Espinhaço, tornando a região central uma grande lacuna de conhecimento. Essa polarização pode se relacionar com diversos fatores, incluindo melhor acessibilidade e presença de instituições de ensino e programas de pesquisa nas áreas. As abelhas foram os visitantes florais com maior número de estudos realizados (44%), seguido de beija-flores (17%). A frequência de estudos com abelhas e beija-flores pode estar associada não só a sua prevalência natural, mas também à maior ocorrência de grupos de pesquisa com enfoque nestes grupos taxonômicos de visitantes na região. Das 50 famílias com dados de visitação floral, 16% são Fabaceae e 10,5% Asteraceae, resultado esperado, pois essas famílias são abundantes na área de estudo. Além disso, percebeu-se uma representação desproporcional das famílias botânicas no estudo e sua representatividade nos campos rupestres de Minas Gerais e Bahia. Por fim, a Cadeia do Espinhaço carece de programas estratégicos, multidisciplinares e sistematizados de pesquisa de longa duração envolvendo múltiplas espécies para uma maior compreensão da riqueza local e subsídio ao desenvolvimento de medidas de conservação da biodiversidade na região.
126 Sobre a feição da “heroica província”: mosaico de regiões desarticuladas ou território crescentemente integrado? , Marcos Lobato Martins
Com abordagem historiográfica, o artigo discute as representações relativas à organização espacial da província de Minas Gerais (século XIX), presentes especialmente nas obras de história política, econômica e demográfica. Destacam-se a formação e os traços característicos da metáfora espacial “mosaico mineiro”, bem como as razões de sua longa vigência na historiografia sobre Minas Gerais. Em seguida, critica-se a ideia do “mosaico mineiro” e afirma-se a necessidade de formular nova representação do espaço provincial, com base em resultados das recentes pesquisas do campo da História Econômica, que enfatize o contato, a interação e a diferenciação entre os espaços sub-regionais.
127 Relação geográfica entre índice de vulnerabilidade social e a transmissão da dengue: estudo de caso de Praia Grande, São Paulo , Fábio Santana Silva Matheus Pereira Libório Paula B arreto Haddad
A dengue é um problema de saúde pública mundial, sendo comumente relacionada a fatores socioeconômicos e ambientais. No Brasil, áreas urbanas sem saneamento, a alta densidade populacional (áreas de vulnerabilidade social) e o clima (tropical e subtropical) criam as condições ideais para a proliferação do vetor da dengue. O objetivo deste estudo foi analisar a relação espacial entre a transmissão da dengue e os índices de vulnerabilidade social do município de Praia Grande em 2010. Para tanto, foram analisados os casos autóctones confirmados por critérios laboratoriais e clínico-epidemiológicos (sistema de notificação de doenças), dados socioeconômicos do censo (IBGE) e o índice de vulnerabilidade social de São Paulo (Fundação SEADE). Conforme nossos resultados, ocorreu uma alta incidência de dengue, em 2010, em setores censitários com indicadores de média e alta vulnerabilidade social, alta densidade populacional e bons serviços de infraestrutura e saneamento. Em Praia Grande, a concentração de casos de dengue ocorre na população economicamente ativa (faixa etária de 20 a 39 anos) e população feminina. Nossos resultados apontam que casos de dengue na área de estudo ocorre independentemente da vulnerabilidade social, instigando novas pesquisas sobre as relações causais entre a dengue e o espaço geográfico.
128 Construção e demolição civil na cidade de Espinosa, Minas Gerais: mapeamento dos pontos de disposição de resíduos , Aliny Cristiany Cardosos de Sá Gilberto Camargos Sá Ertz Ramon Teixeira Campos Francisco Malta de Oliveira Érica Rodrigues Benjamim Silva Humberto Gabriel Rodrigues
O impulso no crescimento de qualquer país desenvolvido, passa pela construção civil. Tendo o poder de mudar a paisagem, trazendo benefícios econômicos e sociais para a população, bem como auxiliar na geração de emprego e na qualidade de vida. Os problemas ambientais na cidade de Espinosa/MG merecem serem estudados, uma vez que, os resíduos sólidos provenientes da construção civil não estão sendo destinados de maneira técnica e consciente. Esta pesquisa foi baseada em revisões bibliográficas, visitas de campo, comparação de imagens de satélite, fotografias, laudos técnicos de órgãos municipais e entrevistas com autoridades da área. Foram realizadas visitas a pontos irregulares de lançamento de resíduos, com o objetivo de retratar in loco a disposição dos RCC. Este trabalho buscou mapear os pontos de descarte, para mostrar quanto à urbanização da cidade tem mudado a paisagem e ocasionando danos ambientais, podendo ser subsídios para as autoridades governamentais na resolução do problema.
129 Delimitação automática e quantificação das Áreas de Preservação Permanente de encosta para o município de Diamantina, Minas Gerais, Brasil , Luciano Cavalcante de Jesus França Danielle Piuzana Mucida Marcelino Santos de Morais Eduarda Soares Menezes Daniela Torres Morandi
A legislação ambiental é considerada importante ferramenta jurídica de prevenção de danos ambientais e embasamento para uso de práticas ambientalmente corretas. O Código Florestal Brasileiro, instituído pela Lei Federal nº 12.651/2012, é extremamente importante no contexto ambiental do Brasil, com grandes repercussões para as Áreas de Preservação Permanente (APP’s). O presente estudo objetivou mapear as APP’s de encostas do município de Diamantina, MG, por meio de ferramentas do Sistema de Informações Geográficas. A delimitação foi realizada com auxílio do software ArcGis 10.3.1, a partir de imagens raster da base Modelo Digital de Elevação, que gerou a carta de declividade do terreno e o mapa final com as APP’s de declive > 45º. O resultado final foi relacionado aos parâmetros físicos da paisagem. As informações contribuíram na compreensão da vulnerabilidade ambiental de áreas, assim como a carta final de APP’s delimitadas, foi analisada sobre o mapa de cobertura e uso da terra a partir de imagens RapidEye de 2015. Contabilizou-se que 96,80 km², cerca de 2,63%, da área total do município são classificadas como APP’s de Encostas. Esta delimitação pode servir de instrumento e ferramenta estratégica para ações de gestão e ordenamento territorial e ambiental do município.
130 Resenha: O Desenvolvimento Agrícola: Uma Visão Histórica. Veiga, José Eli da. São Paulo: Edusp. Hucitec, 1991. , Marcos Vinícius Pacheco Pereira
Resenha: O Desenvolvimento Agrícola: Uma Visão Histórica. Veiga, José Eli da. São Paulo: Edusp. Hucitec, 1991.
131 Revista Espinhaço entrevista: Heloísa Soares de Moura Costa (IGC/UFMG) , Douglas Sathler
A Revista Espinhaço apresenta uma entrevista exclusiva com a Profa. Heloisa Soares de Moura Costa. A entrevista foi realizada em setembro de 2018, e conduzida por Douglas Sathler (UFVJM), na cidade de Poços de Caldas, durante o encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP). Heloisa Soares de Moura Costa é especialista em planejamento urbano e regional, tendo participado da elaboração de trabalhos de grande destaque. Nessa entrevista, a professora fala sobre os desafios da produção de cidades sustentáveis no Brasil.
132 Editorial Revista Espinhaço , Douglas Sathler
133 Biomonitoramento e pressões da urbanização: Uma abordagem integrada entre Ecologia e Geografia na bacia do rio das Velhas , Marcos Callisto Pablo Moreno Diego Rodrigues Macedo
A caracterização de bacias hidrográficas e o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico de qualidade ambiental para subsidiar o manejo sustentável de recursos hídricos requerem abordagens interdisciplinares. O objetivo deste estudo foi integrar métricas ecológicas e geográficas para diagnosticar qualidade de água na bacia do rio das Velhas, afluente do rio São Francisco (Minas Gerais, Brasil). Foram utilizadas as características da composição e estrutura de comunidades de bioindicadores bentônicos coletados em 19 diferentes afluentes na bacia do rio das Velhas. As informações geográficas foram adquiridas para cada uma das sub-bacias de drenagem de sítio amostral. A densidade populacional urbana e rural, a infraestrutura sanitária e o uso e cobertura da terra foram sintetizados através de uma análise de componentes principais (PCA). As associações entre as métricas ecológicas e geográficas foram analisadas através de regressões lineares, utilizando os três eixos mais representativos da PCA como preditores, sintetizando: (i) influência urbana (44,37 %), (ii) influência rural (16,88 %) e (iii) influência da cobertura natural (14,63 %). Os modelos gerados para as métricas biológicas riqueza taxonômica, diversidade de Shannon-Wienner, BMWP, ASPT e % Oligochaeta foram significativos (R2 ≥ 44-90, p < 0,002) e todos foram dependentes do primeiro eixo da PCA, evidenciando que as métricas biológicas são sensíveis às pressões urbanas. Nós concluímos que a urbanização é a principal fonte de influência de degradação de qualidade das águas do rio das Velhas, com potencial comprometimento para a bacia do Rio São Francisco.
134 Valor econômico e determinantes socioculturais dos produtos florestais não madeireiros na Reserva Transnacional W da Biosfera, Benim , Alice Bonou Fandohan Belarmain Fandohan Anselme Adegbidi Brice Sinsin
Este trabalho examina o valor econômico dos produtos florestais não madeireiros e sua contribuição para a renda da população que reside na Reserva Transnacional W da Biosfera em Benim. No estudo, 148 pessoas de dois grupos étnicos foram entrevistadas. Os dados foram analisados com base no método de estimativa indireta de custo de oportunidade e margem bruta. Os resultados mostram que a população local colhe cinco tipos de produtos: lenha (não comercializado) e quatro produtos comercializados (Vitellaria paradoxa, C.F.Gaertn, sementes e polpa de Parkia biglobosa (Jacq.) R. Br. ex G. Don e folhas de Adansonia digitata L.). A média da contribuição dos produtos comercializados dentre os entrevistados foi estimada em XOF 255,484 ($US 510.968) (desvio padrão: XOF 37,109), representando cerca de 11,46% da renda anual dos domicílios. Grupos de idade e aspectos sociolinguísticos foram os maiores determinantes da exploração de produtos florestais não madeireiros. Tendo em vista o valor desses produtos para as comunidades, deve-se priorizar a domesticação e conservação as plantas identificadas neste estudo.
135 As migrações e a urbanização no Brasil a partir da década de 1950: um breve histórico e uma reflexão à luz das teorias de migração , Rodrigo Coelho de Carvalho
A compreensão dos mecanismos de (re)distribuição espacial da população brasileira atualmente, devido à sua magnitude e complexidade, consiste em um grande desafio para geógrafos, economistas, demógrafos e estudiosos de diversas outras áreas do conhecimento. O objetivo do presente artigo é fazer um breve histórico das migrações e da urbanização no Brasil a partir da década de 1950, com base em uma revisão da bibliografia. Os processos de redistribuição da população no território e a reconfiguração do sistema urbano nacional foram avaliados à luz das principais teorias migratórias, utilizadas como ferramentas de interpretação e análise. Os fundamentos básicos dessas teorias, suas convergências, divergências e a aplicabilidade ao caso brasileiro são apresentadas ao longo do texto. Foram abordadas, entre outras questões, a discussão sobre a relação entre migrações e desenvolvimento e os efeitos da transição demográfica nas migrações internas do país.
136 Uma nova abordagem para a geovisualização de dados de segurança pública: o caso do ministério público do Rio Grande do Norte , Josemberg Pessoa Borges Matheus Pereira Libório Paula Barreto Haddad
Nessa pesquisa abordamos problemas associados às informações sem contexto espacial na segurança pública, mais especificamente no Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). Mostramos que informações sem contexto espacial dificultam a análise investigativa, podendo aumentar o tempo de investigação e enfraquecer estratégias. Para tratar este problema, investigamos o uso das geotecnologias no contexto da gestão pública, dando ênfase à gestão da segurança pública. Identificamos na literatura o uso significativo de geotecnologias no tratamento de dados de segurança pública nas áreas criminais, mas não nas áreas cíveis e administrativas. Exploramos essa lacuna, estruturando e desenvolvendo um geovisualizador das ocorrências registradas no MPRN. Estruturado a partir de entrevistas com promotores de justiça, e desenvolvido por meio de API do Google Maps, o geovisualizador contribui para: i) correlacionar (visualmente) investigações por proximidade; ii) reduzir o tempo nos deslocamentos nas áreas de trabalho; e iii) ampliar a capacidade investigativa da instituição.
137 Aspectos epidemiológicos da dengue em Araçuaí, médio Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais , Dhiego Gonçalves Pacheco Lúcio do Carmo Moura Rosana Passos Cambraia
A dengue é uma doença infecciosa febril, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que no Brasil representa uma epidemia. O objetivo da pesquisa foi descrever os aspectos epidemiológicos dos casos de dengue notificados no município de Araçuaí, Minas Gerais, Brasil, no período de 2014 a 2018, de forma descritiva e quantitativa, com dados obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Utilizou-se o teste de correlação de Pearson para análise entre a incidência e as variáveis climáticas. No período foram notificados 1.138 casos de dengue, observou-se predomínio feminino (62,4%), faixa etária prevalente de 20 até 49 anos (54,6%) e nível de escolaridade foi o fundamental completo (14,6%). Observou-se o aumento progressivo da incidência de dengue nos anos de 2015 (1.443,92%), 2016 (1.046,84%) e 2017 (352,65%), e queda em 2018 (108,29%). Não foi observada correlação entre as variáveis climáticas e incidência. Conclui-se que, após a identificação dos aspectos epidemiológicos da dengue em Araçuaí, os resultados apontam o município como endêmico, caracterizado como área de média incidência. O monitoramento do vetor pelo setor de vigilância epidemiológica deve acompanhar rotineiramente a identificação das áreas de risco para a adoção de ações de controle e redução da doença no município.
138 Espaço rural brasileiro: diversificação e peculiaridades , Cyntia Mirella Cangussu Fernandes Sales Roberto Nascimento Rodrigues
Com dimensões continentais, o Brasil contém espaços rurais heterogêneos, onde são encontradas formas diversas de organização social, econômica e de acesso à terra, por sua vez relacionadas à forma de colonização do país e à política fundiária que beneficiou uma categoria em detrimento de outra. Este artigo objetiva apresentar uma síntese da diversidade do espaço rural brasileiro, com base em revisão bibliográfica de textos selecionados sobre o tema. A variedade de espaços rurais no Brasil encontrada na contemporaneidade trás ruralidades relativamente acentuadas na maneira como as pessoas estabelecem o seu modo de produzir o espaço e reproduzir a si mesmos. Nos vários contextos rurais, com características e estilos de vida diversos, são constituídas relações econômicas e socioculturais em observância às peculiaridades do local, cujas relações são responsáveis por moldarem o espaço, ao mesmo tempo em que são moldadas pelo local em que elas se estabelecem.
139 Resenha: Geografia urbana crítica: Teoria e mé-todo. CARLOS AFA; SANTOS CSS; ALVAREZ IP. São Paulo: Contexto, 160p. 2018. , Maria Vitória Xavier Dias Rocha Iandria Souza Oliveira
Resenha: Geografia urbana crítica: Teoria e método. CARLOS AFA; SANTOS CSS; ALVAREZ IP. São Paulo: Contexto, 160p. 2018
140 Revista Espinhaço entrevista Profa. Flaviana Tavares (UFVJM) , Douglas Sathler
A Profa. Flaviana Tavares é graduada em Ciências Naturais e Licenciada em Química. Mestre em Agroquímica. Doutora em Química Inorgânica. Professora da UFVJM desde 2009. Nessa entrevista, a Profª. Flaviana Tavares fala sobre um tema importantíssimo para o ensino superior: a retenção e a evasão. A entrevista foi conduzida pelo Prof. Douglas Sathler (UFVJM) em julho de 2019, no Laboratório de Estudos Urbano-Regionais e de práticas pedagógicas (LAUR+) do Centro de Geociências (CeGEO) da UFVJM.
141 Editorial Revista Espinhaço , Douglas Sathler
No final dos anos 1990, eu tinha um sonho: estudar numa instituição federal de ensino. No caso, na UFMG. No ambiente do cursinho, estudantes batalhavam sete dias por semana almejando a sonhada matrícula. Naquele tempo, as vagas eram restritas, existiam poucas oportunidades transformadoras e ninguém queria ficar de fora. Parecia existir um consenso interessante: a universidade pública era parte do Brasil que dava certo. Nos últimos 20 anos, quantos avanços importantes vivenciamos nas universidades públicas. Podemos citar a ampliação de vagas, a expansão para lugares distantes dos grandes centros e o aumento do acesso por parte dos estudantes de escolas públicas. Em pesquisa recente, descobrimos que 80% dos estudantes da UFVJM, universidade localizada numa das regiões mais carentes do país, o Vale do Jequitinhonha, vieram das escolas públicas.   No entanto, apesar dessas informações animadoras, os últimos anos têm sido difíceis para o ensino superior no Brasil. No discurso geral, a universidade pública virou “o problema” do país, ao invés de instrumento para a promoção do desenvolvimento e da inclusão social. Os professores são desprestigiados dia após dia, o ambiente de trabalho tem sido deteriorado, as instituições de fomento à pesquisa e inovação estão quebradas e a assistência estudantil não é suficiente. Nesse contexto, as jovens universidades menos consolidadas, sofrem consequências ainda mais perversas, sobretudo àquelas que possuem lideranças com pauta dissonante dos anseios da comunidade acadêmica. Projetos como a Revista Espinhaço, que prezam pela promoção da ciência e pela elaboração de trabalhos com impacto regional, me parecem um alento.   Como sobreviver a esse caos? No meu ponto de vista, um dos possíveis diagnósticos é geográfico: crise de escala. É isso mesmo! Estamos vivendo uma crise de escala. Despejamos toda a nossa energia e saúde em problemas nacionais e prestamos pouca atenção no universo de possibilidades que existem em nosso entorno. Somos distraídos e consumidos com notícias de todo o tipo sobre o que acontece em Brasília, muitas delas ultrapassando as fronteiras do absurdo. Reorientar nossa atenção profissional e equilibrar o nosso espírito cidadão são fundamentais para a nossa saúde mental. Vigilantes sempre! Alienados aos problemas das nossas comunidades, jamais!   Nesse espírito, a Revista Espinhaço caminha para o seu 15º volume, trazendo, como de costume, seis artigos inéditos, uma entrevista especial e uma resenha.
142 Os processos geológicos por trás dos sítios arqueológicos da Serra do Espinhaço Meridional , Matheus Kuchenbecker
A Serra do Espinhaço Meridional, importante marco fisiográfico do território mineiro, abriga uma vasta rede de sítios arqueológicos, cujos registros têm sido cruciais para as investigações a respeito dos primeiros americanos. Em sua maioria, estes sítios ocorrem em abrigos rochosos naturais, como lapas, cristas e grutas, desenvolvidos em rochas metassedimentares pré-cambrianas. Este trabalho tem como objetivo apresentar, de forma didática, os principais processos geológicos envolvidos na gênese destes abrigos. Os processos de sedimentação, diagênese, metamorfismo e deformação influenciam a composição e estruturação das rochas, e estas características, por sua vez, exercem forte controle nos processos de intemperismo e erosão que, em última instância, dão origem às formas de relevo propícias à ocupação humana. Fica demonstrada, assim, uma íntima relação entre o inorgânico e o orgânico, entre o geológico e o antropológico, no tempo e no espaço, num excelente exemplo de interação entre os vários e complexos elementos do Sistema-Terra.
143 As estruturas arqueológicas em Cerro Ventarrón – marcos sociogeográficos, lugares e paisagem durante o Formativo Inicial, Lambayeque, Peru , Marcelo Fagundes Márcia M Arcuri Suñer Bernardo Machado Gontijo Alessandra M. Carvalho Vasconcelos Flávia Brasil Baessa Bueno Luís Fernando Rangel de Oliveira Mafra
A costa norte do Peru é uma das regiões responsáveis pelo surgimento da arquitetura monumental no continente sul-americano, destacando-se o remoto desenvolvimento sociocultural e econômico ainda no terceiro milênio da era pré-cristã. Além disso, muito precocemente, grupos que ocuparam essa região foram responsáveis por grandes obras de engenharia (como a irrigação por canais), possibilitando o crescimento vertiginoso de uma agricultura capaz de suportar grandes populações e, consequentemente, do aparecimento da complexidade tecnológica vinculada à produção têxtil, cerâmica e à metalurgia. Todo esse desenvolvimento está diretamente relacionado às cosmologias, que não apenas justificam, mas estruturam a vida nos Andes Centrais durante milênios. Esse trabalho tem como objetivo apresentar como surgem as estruturas arqueológicas em Cerro Ventarrón, no vale de Lambayeque, e como o estudo das características fisiográficas, associado aos conceitos de lugar e paisagem, tem cooperado para a compreensão do modo de vida dos vários grupos que ocuparam a área ao longo de 5 mil anos. Para tanto várias campanhas de campo foram realizadas no intuito de mapear, compreender o sistema de implantação e os vínculos cosmográficos destas estruturas arqueológicas, de acordo com o pensamento andino. Como resultado, observou-se que a implantação destas estruturas está vinculada aos marcos sociogeográficos regionais, contudo associados às formas comuns do pensamento e da organização social compartilhada por distintas sociedades que compõem os Andes.
144 Apropriações sociais do patrimônio cultural: exclusão ou inclusão? , Flávio de Lemos Carsalade Diomira Maria C. Pinto Faria Frederico Couto Marinho Larissa Garcia Pardini Gracia Wanatu Babutanga
A preservação do patrimônio cultural no Brasil construiu sua história como instrumento de vanguarda em termos de políticas públicas e, desde sempre, utilizando o conceito de função social da propriedade, o qual só se consolidou no país a partir da Constituição de 1988. O que vemos hoje, no entanto, na área patrimonial, em alguns casos, é uma prática que pode ameaçar esta função social do bem cultural pelo excessivo zelo de retirá-lo do cotidiano e protegê-lo em redomas, como se fossem excepcionalidades extraídas do tempo presente, com compromisso apenas com o passado e o futuro. Para ilustrar e problematizar esta questão, apresentamos o caso da Praça da Estação em Belo Horizonte, na qual a discrepância entre o que é concebido pelos planejadores e o que é vivido pelos transeuntes causa fragmentações no uso da praça e dificulta a existência de uma mistura social.
145 Avaliação da dinâmica social dos municípios mineiros criados após a constituição federal de 1988 , Marcos Antônio Nunes Ricardo Alexandrino Garcia Carlos Lobo
Após a aprovação da Constituição Federal de 1988, verificou-se no Brasil uma corrida emancipacionista distrital em quase todas as unidades federativas. Em Minas Gerais, foram 130 municípios entre 1988 e 2019. A pesquisa explora a evolução do Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS), para os anos de 2000, 2010 e 2016, com o objetivo de mensurar o grau de sucesso das emancipações distritais que ocorreram naquele período em Minas Gerais e as possíveis conquistas sociais. Primeiramente, calculou-se a variação do crescimento do IMRS de cada município nos períodos de 2000-2010 e 2000-2016. Após tratamento estatístico, observou-se que as dimensões que correspondem à área social foram as que mais contribuíram para o incremento do IMRS dos municípios analisados no período, com destaque para a dimensão "saúde" por ter sido a que mais impactou positivamente neste crescimento.
146 Diagnóstico multitemporal do uso e cobertura da terra e qualidade das águas na bacia do rio Jequitinhonha em Minas Gerais como subsídio à gestão dos recursos hídricos superficiais , Hélio de Magalhães Júnior Frederico Azevedo Lopes Diego Rodrigues Macedo
A bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha tem sido afetada por alterações na cobertura e no uso da terra e, consequentemente, na qualidade dos recursos hídricos locais desde o ciclo de exploração minerária de ouro e diamante, especialmente durante o século XVIII. Apesar da baixa disponibilidade hídrica e pressões sobre os recursos hídricos locais, os instrumentos de gestão dos recursos hídricos, tais como a cobrança e outorga qualitativa ainda não foram efetivados na bacia. Neste contexto, este trabalho busca relacionar a evolução do uso e ocupação da terra na bacia com os parâmetros de qualidade da água que compõem o Índice de Qualidade da Água (IQA), identificando as principais fontes de pressão sobre os recursos hídricos. A classificação do uso e cobertura da terra foi realizada por meio de dados disponibilizados pelo Projeto MapBiomas no ano 2000 e 2014, enquanto os dados de qualidade das águas foram obtidos junto ao programa de monitoramento realizado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). A análise dos dados foi conduzida por meio de análise estatística descritiva e construção de modelos de regressão múltipla. Os resultados evidenciaram que as atividades de agricultura e pecuária foram as que mais influenciaram a qualidade das águas na bacia no período estudado (2000 e 2014), especialmente sobre os valores de Nitrato, Sólidos totais e pH. Além disto, os resultados no período seco foram mais significativos em relação ao período chuvoso, provavelmente devido a maior estabilidade ambiental na seca. Deste modo, a deterioração da qualidade ambiental na bacia, principalmente, devido ao aumento de áreas com atividades antrópicas em detrimento das áreas naturais tem comprometido a qualidade de suas águas.
147 Apontamentos para uma geo-história do vinho em Diamantina (1817-2000) (1817 - 2000) , João Francisco Pereira de Meira
Este artigo organiza informações de diferentes fontes sobre a presença da vitivinicultura na região de Diamantina, MG, reconhecida desde o século XVIII como de destacado potencial econômico para esse cultivo, em função de seu terroir característico. Recuperando a trajetória dessa atividade, entre o começo do século XIX e o final dos anos 1960, quando foi interrompida, procura-se refletir sobre as tentativas anteriores de implantação e viabilização econômica da indústria vinícola na região e tenta um balanço de seus resultados no período. No contexto de recuperação das vinícolas do Alto Jequitinhonha, a partir de 2004, resgatar a trajetória anterior pode contribuir para o desenvolvimento e a inovação na cadeia produtiva da vitivinicultura e do enoturismo regionais.
148 Revista Espinhaço Entrevista Profa. Danielle Piuzana (UFVJM) , Daniele Sobrinho Josias Sebastião Renata Figueiredo Claudiney Martins Viviane Ferreira Sheila Lopes Douglas Sathler
A Profa. Danielle Piuzana é Geóloga (UFMG) e mestre e doutora em Geologia pela UNB. Atualmente, trabalha como professora da UFVJM. Nessa entrevista, a Profª. Danielle Piuzana fala sobre o projeto GAIA, projeto que une ciência e arte no desenvolvimento de práticas pedagógicas e na divulgação científica em Diamantina, Minas Gerais. A entrevista foi elaborada e conduzida por Daniele Sobrinho, Josias Sebastião, Renata Figueiredo, Claudiney Martins, Viviane Ferreira, Sheila Lopes e Douglas Sathler (UFVJM) em dezembro de 2019, na sede do GAIA (UFVJM).
149 Resenha: Ensino de Geografia - práticas e textualizações no cotidiano. CASTROGIOVANI AC; CALLAI HC; KAERCHER N. Porto Alegre: Editora Mediação, 11ª ed. 2014 , Claudiney Martins Daniele Sobrinho Josias Sebastião Renata Figueiredo Viviane Ferreira Sheila Lopes
Resenha: Ensino de Geografia - práticas e textualizações no cotidiano. CASTROGIOVANI AC; CALLAI HC; KAERCHER N. Porto Alegre: Editora Mediação, 11ª ed. 2014